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Riascos: A pior contratação da história do Cruzeiro

José Eduardo

O que leva um clube a contratar um jogador? Há vários fatores que movem uma diretoria a fazer loucuras.

Pode ser uma estrela, como Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, um craque, como Cristiano Ronaldo, que custou uma fortuna aos cofres do Real Madrid, uma promessa , como Ronaldo, que saiu do São Cristóvão para brilhar no Cruzeiro, ou até um ídolo do rival, para manchar a história do jogador no outro clube.

Mas na contramão, obviamente, há contratações vergonhosas. Apostas que não deram em nada, jogadores que não corresponderam em campo, marketing falho, estrangeiros desconhecidos.

Somente no Cruzeiro, há desastrosas contratações, que poderiam competir com Riascos, não fosse este uma junção de todas as categorias de falhas.

Lembremos (tentemos lembrar) Reinaldo Alagoano, Vanderlei, Breno Lopes. Jogadores que, certamente, esquecidos pela torcida. Jogaram pouco, mal, muito mal, mas vieram com salários baixos. Foram emprestados ou vendidos e o custo não saiu muito mais caro que o lucro.

No marketing falho, o ícone é Rivaldo. O clube havia acabado de vencer a tríplice coroa e se desfizera de quase todos os craques. A disputa da Libertadores iria começar e o Cruzeiro estava mal. Então trouxeram o jogador, com status de pentacampeão com o Brasil em 2002. Uma vergonha. O salário alto e o péssimo desempenho em campo jogaram todo o trabalho de marketing no ralo. Não ficou nem até o final do campeonato mineiro.

Mas onde Cruzeiro é especialista em fazer péssimos negócios é no exterior. Depois do sucesso de Aristizábal e Maldonado, em 2003, o clube resolveu apostar em trazer estrangeiros desconhecidos, que jogavam na Europa, e que poderiam se tornar ídolos celestes. Tapia, Farías, Seymour, Ortigoza, Espinoza fracassaram com muita força. Prediger, Fidel Martinez e Diego Arias sequer entraram em campo.

Mas nada comparado com Riascos.

O primeiro erro: apostar em um jogador que não é um novato. Riascos já tem 28 anos, não é uma promessa. A chance de haver algum retorno financeiro para o clube era mínima.

Segundo erro: o jogador não havia tido boas passagens por nenhum clube. Em 10 anos de profissão, Riascos passou por 9 clubes até chegar no Cruzeiro. Enquanto jogava na Colômbia, foi emprestado para clubes da segunda divisão e até para a China, antes de o futebol chinês ser rico como é. Foi para o México e passou por 4 times. Mais um gringo desconhecido e perna-de-pau.

Até aí parece ser só uma péssima contratação, mas nada fora do normal.

Até agora. Riascos é “ídolo” do Atlético-MG. Mas pelas razões erradas. Foi ele quem errou a cobrança de pênalti, pelo Tijuana, nas quartas-de-final da Libertadores 2013, vencida pelo Galo. Ele que consagrou Victor com a defesa emblemática da conquista. Ele entregou o maior título da história do rival do Cruzeiro por um lance de FALTA DE HABILIDADE.

Riascos

Se a diretoria imaginou fazer marketing, na verdade ela entregou a faca e o queijo para o rival. E deu resultado. O jogador foi cobrado, entrou apenas quatro vezes em campo e reiterou a “idolatria” da torcida atleticana jogando pouco e mal.

Agora, o jogador foi emprestado ao Vasco da Gama. Engana-se quem pensa que o pesadelo acabou. O clube carioca arcará com apenas R$100 mil dos R$300 mil do salário do jogador. Ou seja, o Cruzeiro ainda pagará, aproximadamente, R$200 mil para manter um jogador em um time adversário, sem retorno algum.

Pobre Riascos, que nada tem a ver com isso. Continuará ganhando seu salário. Não teve culpa de ter sido comprado pelo Cruzeiro. A culpa é da diretoria celeste. Parabéns aos envolvidos.

Para os vascaínos, pode ser que Riascos dê certo. O jogador entrará em campo sem pressão e irá competir com jogadores de menor categoria que Alisson, de Arrascaeta, Gabriel Xavier, Judivan, Joel e Marquinhos. Por lá, Dagoberto, Gilberto e Rafael Silva devem se sobressair a ele, mas será uma opção no banco. E, se tudo der errado, ele volta ao Cruzeiro e finge que nem foi.

Anjos e demônios

Vinicius Prado Januzzi

Uma das primeiras palavras que ouvimos quando o tema de debate é torcida organizada é violência. Você liga o rádio, a TV ou acessa a internet após o jogo e é bombardeado: “Vândalos entram em confronto”, “Torcidas do próprio time entram em conflito durante a partida”, “Violência e barbaridade no clássico de domingo”.

Há uma premissa óbvia aqui: ser torcedor organizado é ser violento, logo, é ser bandido, marginal, criminoso, bárbaro, selvagem, vândalo, desocupado, vagabundo, pilantra. Fazer parte de uma torcida organizada é integrar uma facção, um bando, uma quadrilha criminosa, uma matilha. Os adjetivos são muitos e monotemáticos: torcida organizada é o mal.

E como fazer para eliminar o mal? Nada mais simples. São duas propostas básicas que se discutem hoje em dia: uma que propõe jogos de torcida única e outra que debate a extinção das torcidas organizadas. Ambas, a bem da verdade, fazem parte do mesmo viés de políticas: excluir. Não é preciso pensar muito para ver que a solução é frouxa, além de errônea e perversa.

E isso por quê? Sejamos uma autoridade nesse momento. Você vê que há um problema que você precisa corrigir. Ou não torcemos mais ou fingimos que vamos excluir certos grupos de pessoas. Alguém aí imagina que por decisão legal, formal, burocrática, jurídica, sumirão os torcedores organizados? De uma hora para outra, concordarão todas e todos das agremiações que “realmente, o que fizemos foi feio, os caras estão certos.”?

Não. Óbvio que não.

Excluir torcidas organizadas é jogar a poeira por baixo do tapete. Imaginem agora que aconteça uma briga fora dos estádios e não há ninguém que esteja identificado com nenhum grupo específico. Você, promotor, olha e pensa: olha, não há mais torcidas, o problema acabou. Seria cômico, se não fosse trágico.

Outra hipótese. Trata-se de uma analogia estúpida, mas é por ela que pensam mais ou menos nossa intelligentsia: vamos partir do pressuposto absurdo de que as torcidas organizadas são facções criminosas; são como o PCC ou o Comando Vermelho, no modo como entendemos grupos criminosos. Eis que por um decreto: “Pelos poderes a mim concedidos, declaro extinto o Comando Vermelho”. Pronto, hora de ir tomar minha Stella na Arena.

Há muitas discussões claras que não queremos travar aqui. E digo no plural, porque boa parte da mídia, dos clubes e de nós torcedores não quer entrar nesse vespeiro. Se a trama é complicada, vamos esperar para ver no que ela vai dar, eu é que não boto minha mão no fogo por isso. Não discutimos os porquês das violências, as deficiências no policiamento e, sobretudo, não entendemos quem são as torcidas organizadas. Quem. Só nos damos conta que elas existem quando vemos algumas brigas. Só olhamos para elas quando queremos enxergar o mal que vemos nelas. É o olho punitivo que só vê o que quer, para fazer o que quer que venha à telha.

Há brigas? Há massacres? Há espancamentos? Há mortes? Sim. Ninguém deveria ser tolo em negar isso para também afugentar o problema. Agora: são esses fenômenos exclusivos das torcidas? Quase como que uma característica intrínseca a elas? São esses torcedores lobos famintos contra os quais nada se pode fazer e nós as ovelhas samaritanas pelas quais é preciso orquestrar algo para nos defender? Bem ou mal, faça sua escolha?

Bobo demais. É claro que não há só santos nas organizadas. Agora, onde há? Que tipo de violência que topamos como legítima? É mais violento o torcedor que bate ou o policial que espanca? É mais violento o sistema que trancafia e joga pessoas aos ratos ou um pequeno grupo que se estraçalha entre si? Nenhum, nem outro. Uns aceitamos, outros não. A uns batemos palmas, nos outros mijamos em cima.

Pois bem, entramos no vespeiro. Porque é preciso entrar; é preciso debater, por a cara a tapa, lutar pelo futebol que queremos. Sair de soluções imediatistas e aparentes. Encarar a violência não como própria de um grupo e ver mais como ela nos atravessa. Não são os pobres os violentos, não são os torcedores corinthianos, os da Gaviões, os da Mancha, os da Urubuzada os que precisamos crucificar. Excluir não é palavra-chave aqui. Porque ou se esconde algo e se vive às custas disso ou se enfrenta e daí vêm as cicatrizes. Por um futebol antielitista, eu prefiro as marcas da luta.

RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 3ª RODADA

Por Rafael Montenegro

10 jogos. 15 gols. O Sport – único time do Nordeste na primeira divisão – é o líder. Chegamos à terceira rodada do Campeonato Brasileiro mas tem muito time que parece não acreditar nisso ainda. Os pontos negligenciados agora farão muita falta nas últimas rodadas

SÁBADO

SÃO PAULO 3X0 JOINVILLE
MORUMBI – PÚBLICO: 12.740

Instável na temporada, o São Paulo não teve dificuldades em ganhar do Joinville , o único time que ainda não marcou gols. Os gols foram de Dória, Michel Bastos e Pato. Destaque para a torcida que competia entre vaiar e apoiar alguns jogadores. O mais visado foi Luís Fabiano, que, mesmo sem fazer uma partida ruim, foi substituído no intervalo e abandonou o estádio antes do fim do jogo.

VASCO 1X1 INTER
SÃO JANUÁRIO – PÚBLICO: 5.138 pagantes

Em seu projeto de somar 38 pontos em 38 jogos, o Vasco chegou ao terceiro empate no campeonato, dessa vez contra os reservas do Inter. O Colorado saiu na frente com Nilmar, que foi comemorar reverenciando a estátua de Romário. O Vasco marcou seu primeiro gol no campeonato a dez minutos do fim, com o volante Lucas pegando rebote do escanteio.

GRÊMIO 1X0 FIGUEIRENSE
ARENA DO GRÊMIO – PÚBLICO: 9.743

O Grêmio venceu a primeira no campeonato na estreia de seu novo e belo uniforme alternativo. No primeiro jogo após a demissão de Felipão, Braian Rodríguez fez o gol de cabeça, aos 30 do segundo tempo, e acalmou os gremistas que já vaiavam a falta de combatividade do time. O Figueirense perdeu a segunda em três jogos e é o vice-lanterna

DOMINGO

PALMEIRAS 0X1 GOIÁS
ALIANZ PARQUE – PÚBLICO: 37.337

No maior público do campeonato, o Palmeiras decepcionou e segue sem vencer no campeonato. Jogando no horário hype das 11h, enfrentou o Goiás e o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que não marcou algumas penalidades para o Verdão paulista. Na mais séria delas, no último lance do jogo, marcou fora da área uma falta que foi claramente dentro. Bruno Henrique, que não tem nada com isso, fez uma linda jogada e deu assistência para Victor Ramos – que ainda seria expulso – marcar contra.

FLUMINENSE 0X0 CORINTHIANS
MARACANÃ – PÚBLICO: 14.932

O Corinthians perdeu os 100% de aproveitamento vendo o Fluminense ser superior. Na melhor chance pro Tricolor, Fred chutou em cima de Cássio que fechou bem o ângulo. Mas gol perdido mesmo foi o do Guerrero que, sem goleiro, pegou de canela e chutou pra fora. Inclusive, Paolo pode fazer seu último jogo pelo Timão na próxima rodada, contra o Palmeiras.
Menção honrosa ao Fredão esperando o Petros na saída pra trocar um lero quente.

AVAÍ 2X1 FLAMENGO
RESSACADA – PÚBLICO: 11.918

O Avaí conquistou sua primeira vitória no campeonato contra o Flamengo, que ainda não venceu no BR-2015. O destaque do jogo foi o gol da vitória, bizarramente validado, onde a bola claramente saiu. Dois jogadores estavam entre o bandeirinha e a bola, mas ainda assim é um erro lamentável. Com o fraco trabalho realizado em 2015, Vanderlei Luxemburgo começa a ser questionado e pode ser demitido em breve.

ATLÉTICO-PR 1X0 ATLÉTICO-MG
ARENA DA BAIXADA – PÚBLICO: 15.013

Em dois jogos na Arena, o Furacão fez 4 gols contra Inter e Galo e não tomou nenhum. Bom começo para um time que fez campanha ridícula no Paranaense. O gol de Douglas Coutinho deu ao Galo sua primeira derrota na competição. Destaque para a expulsão de Walter, o maior atacante do Brasil. O camisa 18 do Furacão xingou mais o árbitro do que xinga o churrasqueiro quando acaba a carne.

CHAPECOENSE 2X1 SANTOS
ARENA CONDÁ – PÚBLICO: 6.374

A Chapecoense Bremen conseguiu a segunda vitória em dois jogos nos seus domínios, galgando a 6ª posição com seis pontos. Já o Santos enfrenta problemas jogando fora da Vila Belmiro e conheceu sua primeira derrota no campeonato. O único gol da partida foi um golaço, anotado por Apodi, de canhota, de fora da área.

SPORT 1X0 CORITIBA
ILHA DO RETIRO – PÚBLICO: 12;119

O Leão é o líder o Brasileirão! 100% em casa, o Sport venceu o Coxa com um gol quase sem querer de Neto Moura. O Sport tem 7 pontos, assim como o Goiás e o Corinthians. Mas a boa fase do rubro-negro pernambucano se estende à Copa do Brasil, onde venceu o Santos no jogo de ida da 3ª fase. Destaque para o belo gramado do alçapão do Sport.

CRUZEIRO 1X1 PONTE PRETA
MINEIRÃO – PÚBLICO: 10.645

Com o time reserva, o Cruzeiro conquistou seu primeiro ponto no campeonato. Depois de um primeiro tempo sonolento, com as entradas de Alisson e Neílton no lugar de G. Xavier e Bruno Edgar, o jogo se tornou mais intenso. Charles abriu o placar num puta golaço, mas, menos de três minutos depois, Biro Biro empatou e deu números finais ao jogo.

Muito obrigado, Xavi!

João

A pauta já estava definida desde o último final de semana e do jogo Flamengo 2 x 2 Sport, válido pelo Campeonato Brasileiro: meu texto iria versar sobre o esquema tático do meu clube de coração, na tentativa de entender os motivos pelos quais o rubro-negro carioca até agora não apresentou um futebol sequer razoável, ainda mais se considerarmos que o time B do São Paulo e o Sport em pleno Maracanã não serão os compromissos mais difíceis que se apresentarão neste campeonato.

Entretanto, um fato que me tinha passado relativamente desapercebido nesses últimos dias chamou a minha atenção de uma maneira bastante intensa neste sábado, 23/05/2015: a despedida de Xávi Hernández do Barça é agora, mais do que nunca, uma realidade palpável, distante apenas (mais) uma final de Champions League para esse meio campista que, caso entre em campo contra a Juve, se tornará o recordista de aparições em jogos do maior torneio entre clubes da Europa (e, do mundo, dado que, infelizmente e pelos mais diversos motivos, nossa querida Libertadores encontra-se muito aquém do alto nível apresentado nos estádios do Velho Mundo).

Xavi nunca foi um jogador habilidoso. Se prestarmos atenção, perceberemos que, mesmo em seu auge, seu jogo era composto basicamente por uma infinidade de passes curtíssimos. Chato, dizem alguns. Pois eu digo fantástico.

Xavi foi o melhor armador (posição que desapareceu dos campos brasileiros desde que começamos a fazer a distinção entre meio-campistas que jogam bola, os meias, e os meio-campistas que desarmam, volantes) que vi jogar. Com uma qualidade técnica irretocável e com sua inteligência e capacidade de leitura do jogo, Xavi foi por muitos anos o cérebro do melhor time de futebol deste início de século, o Barcelona de Guardiola (e de Messi, claro). Não bastasse isso, liderou uma seleção historicamente perdedora e ajudou a transformá-la na bicampeã europeia e campeã mundial temida por todos.

Quero usar este espaço para agradecê-lo. Muito obrigado, Xavi!

A América inteira teme La Bestia Negra

José Eduardo

O Cruzeiro ficou conhecido como La Bestia Negra pelos chilenos após a década de 1990, que consagrou o time celeste com uma Libertadores, duas Supercopas, uma Copa Ouro, uma Recopa e uma Copa Masters. Nestes torneios, a Raposa eliminou chilenos em quase todas as edições, sem contar com os torneios que o clube mineiro não venceu.

La Bestia Negra é o termo que os hispano-americanos usam para os clubes que vencem seguidamente o rival. Seria o oposto do nosso “freguês”. Bestia Negra é aquele que vence o freguês.

Pois bem, em pesquisa feita no ano passado, uma enquete feita no Chile revelou que o Cruzeiro é o clube mais temido pelos chilenos de toda a América.¹

Desta vez, quem sentiu o poder cruzeirense foi a Argentina. O freguês River Plate sucumbiu à grandeza do Cruzeiro.
O retrospecto do confronto tinha 10 vitórias celestes em 13 jogos.

A Raposa foi ao Monumental de Nuñez pelas quartas-de-final da Libertadores esperando dificuldade. Mas fez um jogo seguro, com poucos sustos e mostrou para a torcida que o futebol apresentado no Morumbi, nas oitavas de final, deve ser esquecido.

Jogando com a posse de bola, o Cruzeiro criou várias chances no primeiro tempo, mas não balançou as redes. No segundo, recuou e passou a sofrer pressão. O contra-ataque não funcionava. Mas, ainda assim, criou as duas chances mais perigosas do jogo. Na primeira, o zagueiro Vangioni tirou a bola em cima da linha, depois de Willian tirar a bola do goleiro. Na segunda, a jogada foi fatal. Gabriel Xavier recebeu a bola dentro da área, dominou no peito e chutou. O goleiro Barovero desviou a bola com o pé e ela sobrou para Marquinhos, livre, empurrar para o gol.

Recorde! Primeiro time na história da Libertadores a bater River no Monumental de Nuñez e Boca, na Bombonera.
11 vitórias em 14 jogos contra o River. Freguesia internacional.

De quebra, o Cruzeiro ainda se tornou o brasileiro com mais vitórias na história da Libertadores, com 86 vitórias, uma a mais que o São Paulo.

Já dizia o craque ilustre do Boca Juniors, Claudio Caniggia, “Todos podem fazer sua fama e ganhar títulos, mas o único que virá à Argentina e fará tremer nossos corações será o Cruzeiro, a La Bestia Negra del Continente”

Ainda há o jogo de volta e o River Plate pode reverter a vantagem, mas é fato que o respeito que o Cruzeiro conseguiu não é mito de torcida.

E se a música entoada no Mineirão diz que ” O mundo inteiro teme la Bestia Negra”, disso eu não sei. Mas a América teme. E teme muito!

¹Matéria sobre La Bestia Negra, no Chile
http://www.otempo.com.br/superfc/imprensa-chilena-cruzeiro-%C3%A9-o-mais-temido-e-la-bestia-negra-1.794576

A derrota do Inter em Bogotá

Alexandre Falcão

Nesta quarta-feira tivemos um confronto decisivo na Copa Libertadores. O Internacional visitou o Santa Fé pra disputar vaga nas semi-finais da Copa. Foi com o time titular praticamente todo descansado pra segurar o tranco lá em Bogotá. O Santa Fé tem uma equipe difícil de ser batida no El Campín, sendo sua única derrota em casa para times brasileiros contra o Atlético Mineiro.

Depois de conseguir os 3 pontos contra o Avaí no campeonato brasileiro, o Inter vinha focado na partida, sabendo que decidiria em casa. Foi com uma proposta mais defensiva em campo, semelhante à primeira partida contra o Atlético. Marcava atrás, recuava as linhas e fazia pressão com Lizandro Lopez e D’Alessandro na frente pra forçar o erro na saída de bola do Santa Fé. Ficava pouco com a bola no pé e quando tinha a posse de bola faltava um pouco de velocidade, já que o esquema priorizava a defesa, o Inter saia na maioria das vezes em contra-ataque, enquanto o time da casa trabalhava a bola no meio campo com calma, esperando os espaços que a defesa do Inter oferecia, que na opinião deste torcedor eram um oferecimento de: Colchões Rodrigo Dourado, tire um cochilo!

Não foram muitas chances de gol. Do lado do Santa Fé: 5. Do lado do Internacional: 3. Nilmar perdeu gol na cara do goleiro, Valdívia tentou ousar e dar de cobertura no goleiro aonde a melhor opção seria Eduardo Sasha que passava o facão do lado direito.

Com um esquema tao defensivo o Inter tinha esperanças de sair de Bogotá com um 0x0 e quando teve a oportunidade de marcar o, tão valioso, gol fora de casa, perdeu.

O Inter se encolheu até tomar o gol no final da partida. Leva pro Beira-Rio a desvatagem do 1 x 0, mas tem em seu favor o excelente retrospecto no Beira-Rio na Libertadores e vai ter mais uma vez o apoio do seu torcedor e que faz o Gigante pegar fogo. Nada esta decidido.

GRITA TORCEDOR: Malandragem, dá um tempo

André Porto

O tempo pode passar à vontade, mas enquanto crianças nascerem, crianças terão um templo sagrado para suas brincadeiras: a rua.

Tecnologias e Playstations à parte, do portão de casa para fora, as brincadeiras mantêm suas regras e todo o seu ritual. Tão normal quanto jogar bete, bola ou bolinha de gude é a vontade de ganhar e ser o dono da rua. Da mesma forma, o respeito por quem está ali com você também persiste, principalmente naquele momento em que a mãe chamou para tomar banho, para jantar ou porque o dedão do pé não está mais aguentando o ritmo.
Independentemente do motivo, é o momento que se precisa “pedir altas”. Todos os outros participantes daquele espetáculo das ruas estão de acordo, sabendo que o jogo voltará em breve e a vida seguirá tranquilamente.

Não posso garantir, mas desconfio que o Fair Play, tão falado ultimamente pela imprensa esportiva, teve origem em alguma rua por aí, com golzinhos feitos de chinelo. Não há gesto mais nobre durante uma partida de futebol do que se abrir mão de uma posse de bola em virtude do bem-estar físico do adversário. Lesionou, pediu altas, bola para fora.

O problema é que isso não é uma regra. E nem precisou ser para ter exceções. Sendo um simples acordo de bom convívio entre os jogadores, o Fair Play entraria em campo sempre com uma justa causa. Seria assim, mas não é, muito por causa da malandragem boleira, que atualmente está mais presente nas nossas arenas futebolísticas que capuccinos. Todos ali sabem que ainda não é exigido um diploma de medicina para estar em um estádio. Forjar uma contusão quando se convém é burlar o Fair Play. É um recurso (desonesto) para fazer o ponteiro do relógio correr mais rápido e a vitória do seu time não fugir pelas mãos. Mas acaba sendo também o reflexo da mediocridade que insiste em aparecer no futebol, revelando cada vez mais a cultura do um a zero.

Infelizmente, o jogo bem jogado acaba valendo menos que 3 pontos, e por isso, perde a prioridade. A desconfiança reina onde os diagnósticos não estão. O juiz é dono da ordem, mas não pode querer ser doutor e interferir no prosseguimento da partida, se a bola está em jogo.

Indo mais a fundo, é um reflexo até da hipocrisia da sociedade que exige honestidade de todos, enquanto fura fila no supermercado. A devolução da bola ao adversário vem sempre acompanhada de um asterisco, que representa a situação de vitória ou derrota do seu time naquele momento do jogo. Algo que nasceu nobre acaba banal nas mãos dos malandros.

No último domingo, no Maracanã, tivemos um exemplo do dilema que o Fair Play acaba causando. Já no fim da partida, Élber, do Sport, vai ao chão sentindo muito, enquanto a bola está em jogo e, logo na sequência, nas mãos do goleiro pernambucano. Vendo seu companheiro estirado no gramado e sentindo dores dignas de um parto, o goleiro pernambucano põe a bola para fora e coloca o Flamengo na posição de decidir se segue ou não o Fair Play. Simultaneamente à viagem da bola para fora das 4 linhas, Élber se levanta, pronto para defender o 2×1 que o gol dele tinha colocado no placar, favorecendo o Sport. Ao cobrar o lateral, os flamenguistas acabam não se abalando por estarem presentes in loco a um milagre da medicina, não devolvem a bola e vão em busca do gol de empate, que logo aparece. O apito final decretou o 2×2 e a certeza por parte do Sport de que o juiz e o mau-caratismo carioca tinham sido os responsáveis pela perda de 2 pontos.

O fato é que nunca saberemos a veracidade das câimbras. E mais: o goleiro do Sport colocaria a bola para fora, caso estivessem perdendo? Élber sentiria câimbras, caso o placar não fosse favorável a eles? Teremos que exigir habilidades médicas de cada um dos 22 que entram em campo? Ou só a percepção de que um gesto tão humano com os companheiros de profissão merece um pouco mais de respeito é suficiente?

Uma discussão que não tem certos nem errados, e muito menos um fim em curto prazo. Enquanto isso, veremos lesões gravíssimas a todo instante, com uma dor mais forte que choque de pilha, fazendo de uma partida de futebol um palco de teatro recheado de atuações magníficas e muita malandragem.

Rivaldo aprendendo com o Edmundo, na final da Copa de 98, que o Fair Play tem seus momentos

Na Holanda, o Fair Play fez um golaço