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A América inteira teme La Bestia Negra

José Eduardo

O Cruzeiro ficou conhecido como La Bestia Negra pelos chilenos após a década de 1990, que consagrou o time celeste com uma Libertadores, duas Supercopas, uma Copa Ouro, uma Recopa e uma Copa Masters. Nestes torneios, a Raposa eliminou chilenos em quase todas as edições, sem contar com os torneios que o clube mineiro não venceu.

La Bestia Negra é o termo que os hispano-americanos usam para os clubes que vencem seguidamente o rival. Seria o oposto do nosso “freguês”. Bestia Negra é aquele que vence o freguês.

Pois bem, em pesquisa feita no ano passado, uma enquete feita no Chile revelou que o Cruzeiro é o clube mais temido pelos chilenos de toda a América.¹

Desta vez, quem sentiu o poder cruzeirense foi a Argentina. O freguês River Plate sucumbiu à grandeza do Cruzeiro.
O retrospecto do confronto tinha 10 vitórias celestes em 13 jogos.

A Raposa foi ao Monumental de Nuñez pelas quartas-de-final da Libertadores esperando dificuldade. Mas fez um jogo seguro, com poucos sustos e mostrou para a torcida que o futebol apresentado no Morumbi, nas oitavas de final, deve ser esquecido.

Jogando com a posse de bola, o Cruzeiro criou várias chances no primeiro tempo, mas não balançou as redes. No segundo, recuou e passou a sofrer pressão. O contra-ataque não funcionava. Mas, ainda assim, criou as duas chances mais perigosas do jogo. Na primeira, o zagueiro Vangioni tirou a bola em cima da linha, depois de Willian tirar a bola do goleiro. Na segunda, a jogada foi fatal. Gabriel Xavier recebeu a bola dentro da área, dominou no peito e chutou. O goleiro Barovero desviou a bola com o pé e ela sobrou para Marquinhos, livre, empurrar para o gol.

Recorde! Primeiro time na história da Libertadores a bater River no Monumental de Nuñez e Boca, na Bombonera.
11 vitórias em 14 jogos contra o River. Freguesia internacional.

De quebra, o Cruzeiro ainda se tornou o brasileiro com mais vitórias na história da Libertadores, com 86 vitórias, uma a mais que o São Paulo.

Já dizia o craque ilustre do Boca Juniors, Claudio Caniggia, “Todos podem fazer sua fama e ganhar títulos, mas o único que virá à Argentina e fará tremer nossos corações será o Cruzeiro, a La Bestia Negra del Continente”

Ainda há o jogo de volta e o River Plate pode reverter a vantagem, mas é fato que o respeito que o Cruzeiro conseguiu não é mito de torcida.

E se a música entoada no Mineirão diz que ” O mundo inteiro teme la Bestia Negra”, disso eu não sei. Mas a América teme. E teme muito!

¹Matéria sobre La Bestia Negra, no Chile
http://www.otempo.com.br/superfc/imprensa-chilena-cruzeiro-%C3%A9-o-mais-temido-e-la-bestia-negra-1.794576

A derrota do Inter em Bogotá

Alexandre Falcão

Nesta quarta-feira tivemos um confronto decisivo na Copa Libertadores. O Internacional visitou o Santa Fé pra disputar vaga nas semi-finais da Copa. Foi com o time titular praticamente todo descansado pra segurar o tranco lá em Bogotá. O Santa Fé tem uma equipe difícil de ser batida no El Campín, sendo sua única derrota em casa para times brasileiros contra o Atlético Mineiro.

Depois de conseguir os 3 pontos contra o Avaí no campeonato brasileiro, o Inter vinha focado na partida, sabendo que decidiria em casa. Foi com uma proposta mais defensiva em campo, semelhante à primeira partida contra o Atlético. Marcava atrás, recuava as linhas e fazia pressão com Lizandro Lopez e D’Alessandro na frente pra forçar o erro na saída de bola do Santa Fé. Ficava pouco com a bola no pé e quando tinha a posse de bola faltava um pouco de velocidade, já que o esquema priorizava a defesa, o Inter saia na maioria das vezes em contra-ataque, enquanto o time da casa trabalhava a bola no meio campo com calma, esperando os espaços que a defesa do Inter oferecia, que na opinião deste torcedor eram um oferecimento de: Colchões Rodrigo Dourado, tire um cochilo!

Não foram muitas chances de gol. Do lado do Santa Fé: 5. Do lado do Internacional: 3. Nilmar perdeu gol na cara do goleiro, Valdívia tentou ousar e dar de cobertura no goleiro aonde a melhor opção seria Eduardo Sasha que passava o facão do lado direito.

Com um esquema tao defensivo o Inter tinha esperanças de sair de Bogotá com um 0x0 e quando teve a oportunidade de marcar o, tão valioso, gol fora de casa, perdeu.

O Inter se encolheu até tomar o gol no final da partida. Leva pro Beira-Rio a desvatagem do 1 x 0, mas tem em seu favor o excelente retrospecto no Beira-Rio na Libertadores e vai ter mais uma vez o apoio do seu torcedor e que faz o Gigante pegar fogo. Nada esta decidido.

A busca pelo tri continua

José Eduardo

Após os duros combates nacionais nas oitavas, Cruzeiro e Internacional viajam para Argentina e Colômbia, respectivamente, para continuar em busca do tricampeonato.

Na fase anterior, o Cruzeiro venceu o São Paulo nos pênaltis, depois de jogar muito mal no Morumbi e se superar à base da raça, no Mineirão, e garantir a vaga com as rotineiras defesas de Fábio nos pênaltis.

O Inter também não teve vida fácil. Empatou com o Atético-MG em Belo Horizonte e venceu no Beira-Rio num agitado 3 a 1, com duas pinturas de Valdívia e D’alessandro.

Mas esta rodada promete manter o nível de dificuldade e emoção para os brasileiros que restam na Copa Libertadores.

O Cruzeiro vai ao Monumental de Nuñez encarar o rival – e freguês – River Plate. A partida tem histórico amplamente favorável ao time celeste, que venceu os Millonários na final da Libertadores 1976, na final da Supercopa 1991, nas quartas da Supercopa 1992 – que teve o Cruzeiro bicampeão – pela Mercosul nas edições 1998 e 1999, este último confronto, com direito a 3 a 0 celeste no Monumental.

Mas o River promete dar trabalho, já que eliminou o rival Boca Juniors em um confronto marcado pela violência da torcida Xeneize na Bombonera contra os jogadores dos Millonários.

Já o Colorado terá, teoricamente, mais facilidade. Pega o Independiente Santa Fé, na altitude de Bogotá. O Independiente ficou na nona colocação do Apertura e nem, sequer, se classificou para as quartas no colombiano. Quanto a altitude, o Galo já mostrou que não há o que temer. Na primeira fase foi à Colômbia e venceu. Pela lógica, uma vez que o Internacional já eliminou o Galo, dará Inter na semi. Mas a lógica nem sempre prevalece, conforme o Corinthians demonstrou ao perder para o fraco Guarani do Paraguai.

Os outros dois confrontos são Guarani-PAR x Racing-ARG e Emelec-EQU x Tigres-MEX. Quatro equipes mais fracas que River Plate e Santa Fé. Se passarem à semi, é a chance do tri, ou para Inter ou para Cruzeiro.

Joinville, bem-vindo de volta!

Na edição de 2015, um gigante retorna a elite do futebol brasileiro: o Joinville Esporte Clube. O tradicional time de Santa Catarina conseguiu seu espaço na primeira divisão após uma longa e intensa jornada, coroada com o título da serie B do campeonato brasileiro desbancando clubes como o Vasco da Gama e a Ponte Preta. Depois de uma conquista histórica dessa magnitude, é essencial falarmos da história o JEC.

Na cidade de Joinville, no nordeste de Santa Catarina, existiam dois clubes que dividiam a cidade, como em toda boa cidade do Sul. O América Futebol Clube e o Caxias Futebol Clube eram os clubes mais tradicionais e a rivalidade era intensa. Em 1971, apos o título catarinense do América FC, mais conhecido como o Galo da Zona Norte, o presidente do Galo – um americano chamado Kurt Meinert – falou pela primeira vez da necessidade dos dois clubes rivais se juntarem para que o futebol na cidade de Joinville continuasse forte. Kurt acabou morrendo sem ter visto seu desejo realizado. Mas do outro lado da cidade, Pedro Belarmino da Silva, o presidente do Caxias, entendeu a gravidade da afirmação do americano.

A década de 70 estava sendo complicado para os clubes de Joinville. Os dois times estavam extremamente endividados e os resultados dentro de campo não eram satisfatórios. Em 1976, a cidade resolveu se organizar para que o futebol renascesse. O presidente do Caxias entrou em contato com o empresario Joao Hansen Neto para buscar uma alternativa para que as dívidas fossem pagas. Hansen ofereceu uma ajuda ainda maior, com a condição que os clubes se unissem, como anos antes tinha desejado Meinert. Então, na zona central da Manchester catarinense, o acordo foi selado e o times se uniram. Depois de feito o estatuto, escolherem os uniformes nas cores preto, branco e vermelho e a escolha das dependências do America como sede, no dia 29 de janeiro de 1976 surgia o Joinville Esporte Clube.

O primeiro jogo do JEC foi contra o Vasco da Gama de Roberto Dinamite no Ernesto Schelemm Sobrinho. 15 mil pessoas foram assistir a partida e, após o empate por 1 a 1, os torcedores saíram pelas ruas comemorando. A cidade tinha abracado a nova potencia de Joinville. No mesmo ano o Joinville conquista seu primeiro catarinense com uma campanha espetacular, decidindo o campeonato contra o Juventus do Rio do Sul, com seu capitao Fontan erguendo a Taca Henrique Labes.

No ano de 1987 mais um título catarinense para o Joinville, o decimo em doze anos. Foi o setimo titulo de Nardela, o maior ídolo do tricolor catarinense, que na final jogou boa parte da partida com a cabeca enfaixada e ainda marcou o segundo gol do Joinville na partida.

A década de 90 foi de seca para o time catarinense, que não conseguiu nenhum titulo profissional. Mas em 2000 o JEC conquistou um estadual depois de 13 anos de jejum e no ano seguinte conseguiu seu bicampeonato jogando fora de casa, em Criciúma. Em 2004, o clube voltou a passar por momentos difíceis, rebaixado para a Série C. Pouco tempo depois, a cidade ganhou a Arena Joinville, onde o JEC passou a mandar seus jogos. Mesmo com a torcida comparecendo, o clube não conseguia recuperar seus bons momentos.

Buscando retormar os momentos de gloria, o Joinville iniciou um processo de reformulação. Em 2009, apos conquistar o título da Copa SC, conseguiu a vaga para a serie D do Campeonato Brasileiro. Depois de uma campanha excelente e um administração confusa do campeonato, o JEC consegue seu acesso a Série C. Em 2011 o clube consegue retornar à Série B depois de oito anos.

Em 2014, o Joinville fez historia com uma campanha espetacular. A diretoria montou um elenco competente e como técnico apostou em Hemerson Maria. O clube montou uma estrutura excelente e com todas as condições estabelecidas, o acesso não escapou. No Maranhao, contra o Sampaio Correa, a vaga para a serie A foi conquistada. Na ultima rodada, campeão contra o Oeste. E assim mais um clube tradicional e de torcida retorna a serie A do campeonato brasileiro.

RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 2ª RODADA

Se a rodada de estreia do Brasileirão 2015 foi animadora com seus 28 gols, a segunda nos trouxe de volta a realidade. Com dois 0x0, três jogos sem torcida, um empate eletrizante e apenas uma goleada, a rodada deste fim de semana ficou aquém das expectativas:

SÁBADO

CORITIBA 2X0 GRÊMIO
COUTO PEREIRA – 13.715 presentes

Na fria capital paranaense, o Coxa contou com o auxílio do zagueiro adversário Erazo para fazer dois gols no frágil Grêmio. Com uma furada e um gol contra, o equatoriano viu o Coritiba construir a vantagem e o Tricolor gaúcho continuar sem vencer no campeonato. Até Luís Felipe Scolari foi homenageado, ouvindo um sonoro e irônico “Fica, Felipão” das arquibancadas.

GOIÁS 2X0 ATLÉTICO-PR
SERRA DOURADA – 0 presentes

Sem a presença da torcida, Walter retornou ao gramado do Serra e tentou infernizar a vida do ex-clube. Até chegou a balançar as redes, mas o bandeirinha inventou um impedimento e deslegitimou o gol legal do maior atacante do Brasil. Bruno Henrique marcou duas vezes –de cabeça em cobrança de escanteio e completando um contra-ataque – e deu ao Goiás sua primeira vitória no BR – 15

CORINTHIANS 1X0 CHAPECOENSE
FONTE LUMINOSA – 10144 pagantes

Cumprindo punição do STJD, o Corinthians recebeu a Chapecoense em Araraquara e venceu com um gol solitário (e meio sem querer) de Fábio Santos. O chute de fora da área desviou e enganou o goleiro. O Timão é o único 100% depois de duas rodadas e volta a liderar o Campeonato Brasileiro depois de 378 dias.

DOMINGO
FIGUEIRENSE 0X0 VASCO
ORLANDO SCARPELLI – 11.004 pagantes

No novo horário das 11h – e no forte candidato a Jogo Bosta da Rodada – Figueirense e Vasco ficaram no 0x0. Graças a Alex Muralha, o Vasco segue sem marcar no BR 15. Pelo menos também segue sem sofrer gols. Depois de perder para o Sport por 4×1 na estreia, o Figueirense somou seu primeiro ponto.

ATLÉTICO-MG 4X1 FLUMINENSE
MANÉ GARRINCHA – 11.958 pagantes

Mandando o jogo em Brasília, o Galo foi o melhor time da rodada, atropelou o Fluminense e 4×1 foi tão pouco quanto 7×1 pra Alemanha. Voando baixo, o Galo abriu 4×0 e viu o Flu precisar de um pênalti para marcar seu gol. Sem Libertadores para dividir as atenções e entrando na Libertadores só no segundo semestre, o Atlético chama a atenção e deve brigar pelo título.

SANTOS 1X0 CRUZEIRO
VILA BELMIRO – 7.246 pagantes

O Santos na Vila está nojento. Mais uma vitória em casa com mais um belo gol de Geuvânio, que chega desmoralizou o estático Fábio. Focado nas quartas-de-final da Libertadores (jogo de ida quarta-feira, contra o River, em Buenos Aires), o bicampeão Cruzeiro amarga a lanterna como o único time a não somar pontos.

FLAMENGO 2X2 SPORT
MARACANÃ – 34459 presentes

O maior público da rodada foi para o jogo mais emocionante. Diego Showza se isolou na artilharia do campeonato (3º gol, 3º de pênalti) e teve que atuar de goleiro no fim do jogo, depois que Magrão deslocou o ombro. Depois de abrir 2×0, o Sport viu o Flamengo empatar com um gol aos 50 do segundo tempo. Os visitantes reclamaram de falta de fair play no começo da jogada.

INTER 1X0 AVAÍ
BEIRA-RIO – 15 752 presentes

Depois de sofrer acachapantes 3×0 na estreia do Brasileiro e se classificar na Libertadores, o Internacional pôs os reservas em campo para baterem o Avaí. No segundo tempo, Vitinho pegou de primeira e deu tranquilidade para o Colorado pensar no Independiente Santa Fé (COL). O Avaí ainda não venceu.

PONTE PRETA 1X0 SÃO PAULO
MOISÉS LUCARELLI – 0 presentes

Com uma atuação ridícula do time titular do São Paulo, a Ponte se impôs e só não goleou por méritos de Rogério e por incompetência de seus atacantes. O São Paulo segue sem convencer em 2015. Já Renato Cajá mantêm a média de um golaço por rodada: uma canhota no ângulo contra o Grêmio, uma canhota no ângulo contra o São Paulo.

JOINVILLE 0X0 PALMEIRAS
ARENA JOINVILE – 0 presentes

Terceiro jogo da rodada sem torcida e forte candidato a Jogo Bosta da Rodada. O primeiro chute a gol foi sair apenas no segundo tempo. O Joinville marcou seu primeiro ponto na Série A e o Palmeiras acumulou o segundo empate em dois jogos.

A vitória mais importante do ano

Pedro Abelin

Após a traumática eliminação do meio de semana, o Corinthians tinha uma missão muito evidente na noite de ontem: vencer a Chapecoense a todo custo para afastar qualquer princípio de crise no Parque São Jorge. Nesse sentido, a equipe corinthiana cumpriu sua missão de forma competente, afinal, venceu a Chapecoense e chegou aos
100% de aproveitamento na competição.

O ambiente não era dos mais atrativos para o espectador. Além da ressaca da eliminação na Libertadores, o fato de a partida ser realizada longe da capital paulistana deixava o clima do confronto um tanto quanto melancólico. O que se viu em campo foi coerente com as expectativas sobre a partida: um jogo de baixo nível, muito truncado e com
poucas chances de gol para ambos os lados. Apesar disso, a equipe paulista iniciou o confronto pressionando a Chapecoense e criando algumas oportunidades de gol, contrariando o esperado pelo torcedor corinthiano. Infelizmente para a fiel torcida, o bom futebol se limitou aos primeiros 10 minutos de jogo.

Aos 27 minutos, contudo, Fábio Santos chutou de fora da área adversária, a bola desviou na cabeça do corinthiano Mendoza e entrou no gol catarinense. O lance foi estranho, representando bem o clima do jogo, mas isso pouco importa para o corinthiano, que apenas comemora os 3 pontos que a jogada resultou. Depois do gol, pouca coisa aconteceu na partida.

O triunfo corinthiano se mostrou crucial para a equipe comandada por Tite, pois distancia o clubeda possibilidade imediata de crise e contribui para a retomada da confiança do time que já foi apontado como melhor do Brasil. A vitória de ontem do Corinthians foi a mais importante do ano, afinal de contas, para uma equipe que foi eliminada em ambas as competições que jogou no primeiro semestre, a próxima partida sempre é a mais importante.

Velhos fantasmas: a derrocada corinthiana na Libertadores 2015

Pedro Abelin

Em 2011, o Corinthians foi campeão Brasileiro. Em 2012, na temporada mais gloriosa da história do clube, campeão da Libertadores e bi campeão Mundial. Sim, o período recente não é coerente com a alcunha de sofredor que os corinthianos reivindicam com tanto orgulho. Por isso, devido ao recente histórico vencedor, o “novo torcedor corinthiano” se acostumou a levantar taças e acreditou que determinados fantasmas já estariam exorcizados. Não foi o que se viu na noite de ontem.

A eliminação para o Guaraní do Paraguai pode ser explicada por diversos fatores, como a soberba, a afobação e o descontrole emocional. Contudo, os problemas do Corinthians são muito mais antigos e ficaram explícitos ontem: a equipe corinthiana tem extrema dificuldade de atacar – principalmente equipes retrancadas – e reverter placares desfavoráveis. E foi justamente com o discurso de fazer o time do Corinthians jogar de forma ofensiva que o técnico Tite foi contratado, afinal, o treinador havia realizado um ano de aperfeiçoamentos técnico, fazendo com que seu retorno ganhasse ares de sebastianismo e fosse comemorado antes mesmo de o time entrar em campo.

No início da temporada, a equipe corinthiana impressionou com um futebol intenso, com triangulações e infiltrações que relembravam o time campeão de 2012. O time merecidamente recebeu elogios, embora alguns setores da imprensa tenham mostrado uma empolgação desmedida. Para se ter ideia, o comentarista da Globo, Casagrande, ídolo do próprio time alvinegro, comparou o Corinthians com a Holanda de Cruijff e com a seleção brasileira de 1982.

O ano sabático parecia estar gerando resultados, pois Tite implantou um novo esquema 4 – 1 – 4 – 1, com ampla movimentação e infiltração dos meio campistas, e constantemente acionando a passagem dos laterais. As boas atuações de Elias e Fagner, e principalmente, a ofensividade que o time impunha, representavam o sucesso de um reformulado esquema que permitiu ao esquadrão alvinegro fazer a melhor campanha do Campeonato Paulista e se classificar com facilidade no grupo considerado mais difícil da Copa Libertadores.Nem tudo eram flores, no entanto.

Voltando ao jogo de ontem, a equipe corinthiana mostrou justamente o contrário: extrema dificuldade de infiltração na área paraguaia, sendo obrigado a se apoiar excessivamente nas fracassadas investidas dos laterais. Essa situação se deve ao fato de o Corinthians ter se tornado um time facilmente decifrável, problema que o próprio Tite viveu em 2011 e 2013 pelo próprio Corinthians. Ou seja, os adversários entenderam que pressionar a saída de bola dos laterais corinthianos e se atentar a infiltração de Elias minavam a criação da equipe do Corinthians.

Nesse contexto, o Guaraní cumpriu sua missão perfeitamente ao se portar de maneira serena e não dar espaços para o nervoso time corinthiano jogar. Aliado a isso, uma péssima noite de Guerrero e um time emocionalmente desequilibrado praticamente tornavam impossíveis a classificação corinthiana. Convém ainda lembrar que o Corinthians entrou pressionado porque fez uma partida horrorosa no Paraguai, onde se recusou a jogar e aceitou passivamente o jogo do Guaraní. A soberba ficou evidente quando foi definido o confronto entre os dois times, resultando em comemorações por parte da mídia esportiva e torcedores corinthianos, que já vislumbravam as quartas de finais e ignoravam completamente o time paraguaio.

O Club Guaraní, desconhecido no Brasil, venceu o Corinthians de forma incontestável, levando a loucura seus mais de 300 torcedores que marcaram presença na Arena Corinthians. A história em que gigantes são derrubados por times de menor expressão é recorrentena Copa Libertadores da América, concedendo um ar de imprevisibilidade que torna esta a competição mais apaixonante e mítica do planeta. Até o final dessa edição, outros times considerados favoritos irão cair, e a competição, mesmo que tenha um nível técnico questionado por muitos, seguirá sendo a mais pretendida pela América Latina.

A Libertadores já proporcionou momentos traumáticos para a fiel torcida. Entretanto, as duplas eliminações para Palmeiras e River Plate, e a vergonhosa eliminação para o Tolima aparentavam ter sido ofuscadas pelo histórico título de 2012. O Corinthians, que em determinado momento acreditou que havia expurgado os fantasmas da competição, hoje parece ter retornado aos tempos daquela obsessiva e conflituosa relação com a Taça Libertadores.