Dia de guerra para Internacional e Cruzeiro
José Eduardo
Nesta noite, Internacional e Cruzeiro buscam a classificação para as semifinais da Libertadores. Os ingressos para as duas partidas estão esgotados.
O Inter joga mais cedo, às 19h30, no Beira-Rio. A missão será complicada. Ganhar por dois gols de diferença contra o Independiente Santa Fé, da Colômbia. O Santa Fé joga todas as suas fichas na competição sul-americana, uma vez que foi eliminado, ainda na primeira fase, no campeonato colombiano. O Colorado conta com o retrospecto de 19 jogos sem derrota em seu estádio para reverter o placar.
Mais tarde, às 22h, o Cruzeiro entre em campo para uma batalha não mais fácil. É bem verdade que o clube celeste venceu a primeira partida, fora de casa. Mas o adversário impõe respeito: o River Plate. Atual campeão da sul-americana, o River eliminou o Boca Juniors e está em quinto no Argentino, a três pontos do líder, o próprio Boca, e com um jogo a menos. O Cruzeiro precisa de um empate para se classificar.
Se os dois brasileiros passarem, eles se enfrentam nas semis. Se só o Cruzeiro avançar, pega o vencedor de Guarani e Racing, que se enfrentam amanhã, às 21h. Se só o Inter chegar à proxima fase, o Colorado enfrenta o Tigres, do México.
Vida que segue
Pedro Abelin
A fiel torcida recebeu uma bomba neste sábado. O atacante Paolo Guerrero, principal jogador corinthiano, não terá seu contrato renovado com o Corinthians e ficará livre para defender as cores de outra equipe. Os torcedores corinthianos ainda se mostravam esperançosos, acreditando em uma reviravolta na negociação que pudesse resultar na permanência do jogador peruano, mas o atacante se mostrou irredutível nos valores exigidos para renovação. A não permanência do ídolo é resultado da realidade do Corinthians e de todo o futebol brasileiro, que vivem um cenário de absoluta crise econômica e readequação de contas.
A identificação de Guerrero com a torcida corinthiana foi quase instantânea. Para muitos, o peruano é um legítimo “maloquêro”, que honrou seu sobrenome todas as vezes que entrou em campo. Além disso, a sua passagem pelo clube será lembrada por diversos feitos e recordes, como as marcas de maior artilheiro estrangeiro da história do Corinthians e maior goleador de Itaquera. Entretanto, a razão principal, que faz todo corinthiano ter Guerrero como ídolo é a mesma que eternizou o peruano na história alvinegra: o inesquecível gol contra o Chelsea que levou o clube ao bi campeonato mundial.
A perda de Guerrero será sentida pela equipe de Tite, assim como seria sentida por qualquer outra equipe brasileira. Excelente pivô, ótimo finalizador e possuidor de técnica diferenciada, Guerrero é sem sombra de dúvidas o melhor atacante em atividade no futebol brasileiro. Sua ausência, contudo, será mais sentida pelos torcedores, que criaram uma relação de identificação e idolatria com o jogador que é bastante rara naatual conjuntura do futebol brasileiro, afinal, quantos torcedores têm o privilégio de dizer que contam com ídolos em sua equipe? Sim, Guerrero ficou apenas três anos no Parque São Jorge, mas em um contexto em que os clubes e suas torcidas sofrem com a carência de ídolos, no futebol brasileiro estamos obrigados a desenvolver relações quase que imediatistas de idolatria com os atletas.
Zico com o Flamengo, Rogério Ceni com o São Paulo, Marcelinho Carioca com o Corinthians, entre outros, indicam como as histórias de vinculação de ídolos com suas torcidas são muito bonitas e sempre mobilizarão o futebol. A diferença para o caso de Guerrero, contudo, é que esses jogadores passaram muitos anos defendendo a camisa dos seus times, e sempre assumiram publicamente serem apaixonados por essas equipes. Guerrero deve ter seu status de ídolo questionado por sair do clube? Obviamente que não, pois além de ter feito “apenas” o gol do último título mundial corinthiano, Guerrero é um profissional e após cumprir seu contrato deve ter seu direito de jogar onde quiser garantido. Porém, os clubes não devem ficar refém dos seus ídolos, e os absurdos valores pedidos para renovação do contrato de Guerrero são completamente fora da realidade do futebol brasileiro e da maior parte do futebol mundial. E essa pedida incoerente com o cenário econômico dos clubes explicita o que os corinthianos não queriam crer: Paolo Guerrero não quer mais jogar no Corinthians, e como dito, ele tem o total direito de fazer isso. Mas o que gerou um justo incômodo na fiel torcida foi o discurso de Guerrero de que teria feito tudo a seu alcance para ficar.
Obrigado pelos serviços prestados, Guerrero. Aquele tento de cabeça contra o Chelsea foi um dos dias mais loucos e intensos da minha vida. Apesar de sua bonita história com o Corinthians, jogadores chegam, fazem gols, se declaram para a torcida, ajudam a construir a trajetória do clube e seguem seus caminhos. A contribuição desses atletas deve ser valorizada e jamais esquecida, mas no final das contas, quem sempre continuará presente na vida dos torcedores é o Corinthians. E é para o Corinthians que nós torcemos e realizaremos nossas maiores loucuras, independente de quem estiver passando pelo clube. Que respeitemos e valorizemos os ídolos, mas que não os tornemos maiores que os nossos times.
Abaixo, o gol que todo corinthiano jamais esquecerá.
RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 3ª RODADA
Por Rafael Montenegro
10 jogos. 15 gols. O Sport – único time do Nordeste na primeira divisão – é o líder. Chegamos à terceira rodada do Campeonato Brasileiro mas tem muito time que parece não acreditar nisso ainda. Os pontos negligenciados agora farão muita falta nas últimas rodadas
SÁBADO
SÃO PAULO 3X0 JOINVILLE
MORUMBI – PÚBLICO: 12.740
Instável na temporada, o São Paulo não teve dificuldades em ganhar do Joinville , o único time que ainda não marcou gols. Os gols foram de Dória, Michel Bastos e Pato. Destaque para a torcida que competia entre vaiar e apoiar alguns jogadores. O mais visado foi Luís Fabiano, que, mesmo sem fazer uma partida ruim, foi substituído no intervalo e abandonou o estádio antes do fim do jogo.
VASCO 1X1 INTER
SÃO JANUÁRIO – PÚBLICO: 5.138 pagantes
Em seu projeto de somar 38 pontos em 38 jogos, o Vasco chegou ao terceiro empate no campeonato, dessa vez contra os reservas do Inter. O Colorado saiu na frente com Nilmar, que foi comemorar reverenciando a estátua de Romário. O Vasco marcou seu primeiro gol no campeonato a dez minutos do fim, com o volante Lucas pegando rebote do escanteio.
GRÊMIO 1X0 FIGUEIRENSE
ARENA DO GRÊMIO – PÚBLICO: 9.743
O Grêmio venceu a primeira no campeonato na estreia de seu novo e belo uniforme alternativo. No primeiro jogo após a demissão de Felipão, Braian Rodríguez fez o gol de cabeça, aos 30 do segundo tempo, e acalmou os gremistas que já vaiavam a falta de combatividade do time. O Figueirense perdeu a segunda em três jogos e é o vice-lanterna
DOMINGO
PALMEIRAS 0X1 GOIÁS
ALIANZ PARQUE – PÚBLICO: 37.337
No maior público do campeonato, o Palmeiras decepcionou e segue sem vencer no campeonato. Jogando no horário hype das 11h, enfrentou o Goiás e o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que não marcou algumas penalidades para o Verdão paulista. Na mais séria delas, no último lance do jogo, marcou fora da área uma falta que foi claramente dentro. Bruno Henrique, que não tem nada com isso, fez uma linda jogada e deu assistência para Victor Ramos – que ainda seria expulso – marcar contra.
FLUMINENSE 0X0 CORINTHIANS
MARACANÃ – PÚBLICO: 14.932
O Corinthians perdeu os 100% de aproveitamento vendo o Fluminense ser superior. Na melhor chance pro Tricolor, Fred chutou em cima de Cássio que fechou bem o ângulo. Mas gol perdido mesmo foi o do Guerrero que, sem goleiro, pegou de canela e chutou pra fora. Inclusive, Paolo pode fazer seu último jogo pelo Timão na próxima rodada, contra o Palmeiras.
Menção honrosa ao Fredão esperando o Petros na saída pra trocar um lero quente.
AVAÍ 2X1 FLAMENGO
RESSACADA – PÚBLICO: 11.918
O Avaí conquistou sua primeira vitória no campeonato contra o Flamengo, que ainda não venceu no BR-2015. O destaque do jogo foi o gol da vitória, bizarramente validado, onde a bola claramente saiu. Dois jogadores estavam entre o bandeirinha e a bola, mas ainda assim é um erro lamentável. Com o fraco trabalho realizado em 2015, Vanderlei Luxemburgo começa a ser questionado e pode ser demitido em breve.
ATLÉTICO-PR 1X0 ATLÉTICO-MG
ARENA DA BAIXADA – PÚBLICO: 15.013
Em dois jogos na Arena, o Furacão fez 4 gols contra Inter e Galo e não tomou nenhum. Bom começo para um time que fez campanha ridícula no Paranaense. O gol de Douglas Coutinho deu ao Galo sua primeira derrota na competição. Destaque para a expulsão de Walter, o maior atacante do Brasil. O camisa 18 do Furacão xingou mais o árbitro do que xinga o churrasqueiro quando acaba a carne.
CHAPECOENSE 2X1 SANTOS
ARENA CONDÁ – PÚBLICO: 6.374
A Chapecoense Bremen conseguiu a segunda vitória em dois jogos nos seus domínios, galgando a 6ª posição com seis pontos. Já o Santos enfrenta problemas jogando fora da Vila Belmiro e conheceu sua primeira derrota no campeonato. O único gol da partida foi um golaço, anotado por Apodi, de canhota, de fora da área.
SPORT 1X0 CORITIBA
ILHA DO RETIRO – PÚBLICO: 12;119
O Leão é o líder o Brasileirão! 100% em casa, o Sport venceu o Coxa com um gol quase sem querer de Neto Moura. O Sport tem 7 pontos, assim como o Goiás e o Corinthians. Mas a boa fase do rubro-negro pernambucano se estende à Copa do Brasil, onde venceu o Santos no jogo de ida da 3ª fase. Destaque para o belo gramado do alçapão do Sport.
CRUZEIRO 1X1 PONTE PRETA
MINEIRÃO – PÚBLICO: 10.645
Com o time reserva, o Cruzeiro conquistou seu primeiro ponto no campeonato. Depois de um primeiro tempo sonolento, com as entradas de Alisson e Neílton no lugar de G. Xavier e Bruno Edgar, o jogo se tornou mais intenso. Charles abriu o placar num puta golaço, mas, menos de três minutos depois, Biro Biro empatou e deu números finais ao jogo.
A América inteira teme La Bestia Negra
José Eduardo
O Cruzeiro ficou conhecido como La Bestia Negra pelos chilenos após a década de 1990, que consagrou o time celeste com uma Libertadores, duas Supercopas, uma Copa Ouro, uma Recopa e uma Copa Masters. Nestes torneios, a Raposa eliminou chilenos em quase todas as edições, sem contar com os torneios que o clube mineiro não venceu.
La Bestia Negra é o termo que os hispano-americanos usam para os clubes que vencem seguidamente o rival. Seria o oposto do nosso “freguês”. Bestia Negra é aquele que vence o freguês.
Pois bem, em pesquisa feita no ano passado, uma enquete feita no Chile revelou que o Cruzeiro é o clube mais temido pelos chilenos de toda a América.¹
Desta vez, quem sentiu o poder cruzeirense foi a Argentina. O freguês River Plate sucumbiu à grandeza do Cruzeiro.
O retrospecto do confronto tinha 10 vitórias celestes em 13 jogos.
A Raposa foi ao Monumental de Nuñez pelas quartas-de-final da Libertadores esperando dificuldade. Mas fez um jogo seguro, com poucos sustos e mostrou para a torcida que o futebol apresentado no Morumbi, nas oitavas de final, deve ser esquecido.
Jogando com a posse de bola, o Cruzeiro criou várias chances no primeiro tempo, mas não balançou as redes. No segundo, recuou e passou a sofrer pressão. O contra-ataque não funcionava. Mas, ainda assim, criou as duas chances mais perigosas do jogo. Na primeira, o zagueiro Vangioni tirou a bola em cima da linha, depois de Willian tirar a bola do goleiro. Na segunda, a jogada foi fatal. Gabriel Xavier recebeu a bola dentro da área, dominou no peito e chutou. O goleiro Barovero desviou a bola com o pé e ela sobrou para Marquinhos, livre, empurrar para o gol.
Recorde! Primeiro time na história da Libertadores a bater River no Monumental de Nuñez e Boca, na Bombonera.
11 vitórias em 14 jogos contra o River. Freguesia internacional.
De quebra, o Cruzeiro ainda se tornou o brasileiro com mais vitórias na história da Libertadores, com 86 vitórias, uma a mais que o São Paulo.
Já dizia o craque ilustre do Boca Juniors, Claudio Caniggia, “Todos podem fazer sua fama e ganhar títulos, mas o único que virá à Argentina e fará tremer nossos corações será o Cruzeiro, a La Bestia Negra del Continente”
Ainda há o jogo de volta e o River Plate pode reverter a vantagem, mas é fato que o respeito que o Cruzeiro conseguiu não é mito de torcida.
E se a música entoada no Mineirão diz que ” O mundo inteiro teme la Bestia Negra”, disso eu não sei. Mas a América teme. E teme muito!
¹Matéria sobre La Bestia Negra, no Chile
http://www.otempo.com.br/superfc/imprensa-chilena-cruzeiro-%C3%A9-o-mais-temido-e-la-bestia-negra-1.794576
A derrota do Inter em Bogotá
Alexandre Falcão
Nesta quarta-feira tivemos um confronto decisivo na Copa Libertadores. O Internacional visitou o Santa Fé pra disputar vaga nas semi-finais da Copa. Foi com o time titular praticamente todo descansado pra segurar o tranco lá em Bogotá. O Santa Fé tem uma equipe difícil de ser batida no El Campín, sendo sua única derrota em casa para times brasileiros contra o Atlético Mineiro.
Depois de conseguir os 3 pontos contra o Avaí no campeonato brasileiro, o Inter vinha focado na partida, sabendo que decidiria em casa. Foi com uma proposta mais defensiva em campo, semelhante à primeira partida contra o Atlético. Marcava atrás, recuava as linhas e fazia pressão com Lizandro Lopez e D’Alessandro na frente pra forçar o erro na saída de bola do Santa Fé. Ficava pouco com a bola no pé e quando tinha a posse de bola faltava um pouco de velocidade, já que o esquema priorizava a defesa, o Inter saia na maioria das vezes em contra-ataque, enquanto o time da casa trabalhava a bola no meio campo com calma, esperando os espaços que a defesa do Inter oferecia, que na opinião deste torcedor eram um oferecimento de: Colchões Rodrigo Dourado, tire um cochilo!
Não foram muitas chances de gol. Do lado do Santa Fé: 5. Do lado do Internacional: 3. Nilmar perdeu gol na cara do goleiro, Valdívia tentou ousar e dar de cobertura no goleiro aonde a melhor opção seria Eduardo Sasha que passava o facão do lado direito.
Com um esquema tao defensivo o Inter tinha esperanças de sair de Bogotá com um 0x0 e quando teve a oportunidade de marcar o, tão valioso, gol fora de casa, perdeu.
O Inter se encolheu até tomar o gol no final da partida. Leva pro Beira-Rio a desvatagem do 1 x 0, mas tem em seu favor o excelente retrospecto no Beira-Rio na Libertadores e vai ter mais uma vez o apoio do seu torcedor e que faz o Gigante pegar fogo. Nada esta decidido.
A busca pelo tri continua
José Eduardo
Após os duros combates nacionais nas oitavas, Cruzeiro e Internacional viajam para Argentina e Colômbia, respectivamente, para continuar em busca do tricampeonato.
Na fase anterior, o Cruzeiro venceu o São Paulo nos pênaltis, depois de jogar muito mal no Morumbi e se superar à base da raça, no Mineirão, e garantir a vaga com as rotineiras defesas de Fábio nos pênaltis.
O Inter também não teve vida fácil. Empatou com o Atético-MG em Belo Horizonte e venceu no Beira-Rio num agitado 3 a 1, com duas pinturas de Valdívia e D’alessandro.
Mas esta rodada promete manter o nível de dificuldade e emoção para os brasileiros que restam na Copa Libertadores.
O Cruzeiro vai ao Monumental de Nuñez encarar o rival – e freguês – River Plate. A partida tem histórico amplamente favorável ao time celeste, que venceu os Millonários na final da Libertadores 1976, na final da Supercopa 1991, nas quartas da Supercopa 1992 – que teve o Cruzeiro bicampeão – pela Mercosul nas edições 1998 e 1999, este último confronto, com direito a 3 a 0 celeste no Monumental.
Mas o River promete dar trabalho, já que eliminou o rival Boca Juniors em um confronto marcado pela violência da torcida Xeneize na Bombonera contra os jogadores dos Millonários.
Já o Colorado terá, teoricamente, mais facilidade. Pega o Independiente Santa Fé, na altitude de Bogotá. O Independiente ficou na nona colocação do Apertura e nem, sequer, se classificou para as quartas no colombiano. Quanto a altitude, o Galo já mostrou que não há o que temer. Na primeira fase foi à Colômbia e venceu. Pela lógica, uma vez que o Internacional já eliminou o Galo, dará Inter na semi. Mas a lógica nem sempre prevalece, conforme o Corinthians demonstrou ao perder para o fraco Guarani do Paraguai.
Os outros dois confrontos são Guarani-PAR x Racing-ARG e Emelec-EQU x Tigres-MEX. Quatro equipes mais fracas que River Plate e Santa Fé. Se passarem à semi, é a chance do tri, ou para Inter ou para Cruzeiro.
Joinville, bem-vindo de volta!
Na edição de 2015, um gigante retorna a elite do futebol brasileiro: o Joinville Esporte Clube. O tradicional time de Santa Catarina conseguiu seu espaço na primeira divisão após uma longa e intensa jornada, coroada com o título da serie B do campeonato brasileiro desbancando clubes como o Vasco da Gama e a Ponte Preta. Depois de uma conquista histórica dessa magnitude, é essencial falarmos da história o JEC.
Na cidade de Joinville, no nordeste de Santa Catarina, existiam dois clubes que dividiam a cidade, como em toda boa cidade do Sul. O América Futebol Clube e o Caxias Futebol Clube eram os clubes mais tradicionais e a rivalidade era intensa. Em 1971, apos o título catarinense do América FC, mais conhecido como o Galo da Zona Norte, o presidente do Galo – um americano chamado Kurt Meinert – falou pela primeira vez da necessidade dos dois clubes rivais se juntarem para que o futebol na cidade de Joinville continuasse forte. Kurt acabou morrendo sem ter visto seu desejo realizado. Mas do outro lado da cidade, Pedro Belarmino da Silva, o presidente do Caxias, entendeu a gravidade da afirmação do americano.
A década de 70 estava sendo complicado para os clubes de Joinville. Os dois times estavam extremamente endividados e os resultados dentro de campo não eram satisfatórios. Em 1976, a cidade resolveu se organizar para que o futebol renascesse. O presidente do Caxias entrou em contato com o empresario Joao Hansen Neto para buscar uma alternativa para que as dívidas fossem pagas. Hansen ofereceu uma ajuda ainda maior, com a condição que os clubes se unissem, como anos antes tinha desejado Meinert. Então, na zona central da Manchester catarinense, o acordo foi selado e o times se uniram. Depois de feito o estatuto, escolherem os uniformes nas cores preto, branco e vermelho e a escolha das dependências do America como sede, no dia 29 de janeiro de 1976 surgia o Joinville Esporte Clube.
O primeiro jogo do JEC foi contra o Vasco da Gama de Roberto Dinamite no Ernesto Schelemm Sobrinho. 15 mil pessoas foram assistir a partida e, após o empate por 1 a 1, os torcedores saíram pelas ruas comemorando. A cidade tinha abracado a nova potencia de Joinville. No mesmo ano o Joinville conquista seu primeiro catarinense com uma campanha espetacular, decidindo o campeonato contra o Juventus do Rio do Sul, com seu capitao Fontan erguendo a Taca Henrique Labes.
No ano de 1987 mais um título catarinense para o Joinville, o decimo em doze anos. Foi o setimo titulo de Nardela, o maior ídolo do tricolor catarinense, que na final jogou boa parte da partida com a cabeca enfaixada e ainda marcou o segundo gol do Joinville na partida.
A década de 90 foi de seca para o time catarinense, que não conseguiu nenhum titulo profissional. Mas em 2000 o JEC conquistou um estadual depois de 13 anos de jejum e no ano seguinte conseguiu seu bicampeonato jogando fora de casa, em Criciúma. Em 2004, o clube voltou a passar por momentos difíceis, rebaixado para a Série C. Pouco tempo depois, a cidade ganhou a Arena Joinville, onde o JEC passou a mandar seus jogos. Mesmo com a torcida comparecendo, o clube não conseguia recuperar seus bons momentos.
Buscando retormar os momentos de gloria, o Joinville iniciou um processo de reformulação. Em 2009, apos conquistar o título da Copa SC, conseguiu a vaga para a serie D do Campeonato Brasileiro. Depois de uma campanha excelente e um administração confusa do campeonato, o JEC consegue seu acesso a Série C. Em 2011 o clube consegue retornar à Série B depois de oito anos.
Em 2014, o Joinville fez historia com uma campanha espetacular. A diretoria montou um elenco competente e como técnico apostou em Hemerson Maria. O clube montou uma estrutura excelente e com todas as condições estabelecidas, o acesso não escapou. No Maranhao, contra o Sampaio Correa, a vaga para a serie A foi conquistada. Na ultima rodada, campeão contra o Oeste. E assim mais um clube tradicional e de torcida retorna a serie A do campeonato brasileiro.
