Dois Maracanãs
“Será” que o público do Maracanã mudou?
Raphael Felice
O Maracanã, um dia, foi o maior estádio do mundo. Desde a sua construção, passou por uma série de obras. Por um bom tempo teve as famosas gerais, cadeiras azuis (no lugar do antigo setor de geral) colocadas para os jogos Pan Americanos, mas até aí, o estádio tinha sua identidade intacta.
Eis que 2014 o Brasil é escolhido para sediar a Copa do Mundo e claro, mais uma vez o emblemático Maracanã fora escolhido para ser o palco da final e novamente, passou por mais uma recauchutagem. As obras, tinham tudo para fazer o templo do futebol mundial ainda mais bonito e imponente. Mas a recauchutagem, se revelou uma mutilação e numa multiplicação ao mesmo tempo. O Maracanã havia virado dois. Após ficar pronto, ele se tornou o Novo Maracanã. O antigo foi mutilado, as únicas “semelhanças com o Maraca original são as lembranças, histórias e claro, sua localização. O estádio mais representativo do futebol brasileiro, (quiçá mundial) detentor do recorde de público em uma partida de futebol, teve sua essência perdida, por conta de exigências com fins totalmente corrupto-financeiros da FIFA e aceitas prontamente pela também nada honesta e incompetente CBF.
Mas isso não é o mais grave. As obras superfaturadas (assim como todos os estádios da Copa) do Maracanã, juntamente a administração “gourmetizada” do estádio foram sentidas. E advinha quem pagou, ou melhor, não está podendo pagar o pato de tamanho descaso e corrupção? O torcedor, os “geraldinos” os frequentadores “eternos” do Maracanã não podem mais acompanhar seu time do CORAÇÃO de forma assídua no estádio, devido ao preço elevado dos ingressos. Já não bastasse o futebol de baixo nível, o torcedor que mora nas favelas cariocas (que sempre foi grande frequentador dos estádios) muitas vezes não dispõe de 60 reais o ingresso mais barato) para ir ao jogo do seu time. O mesmo cara que pagava menos (bem menos) para assistir um jogo em épocas onde o campeonato brasileiro era o melhor ou um dos melhores do mundo, é “obrigado” a pagar um valor muito superior para assistir o seu time, num campeonato taticamente atrasado e de nível técnico baixo se comparado aos grandes centros da Europa.
Não estou dizendo que rico não sabe torcer e nem que os estádios não devam ser modernizados. O que eu, e todos os amantes do futebol queremos é que nossos costumes e a história dos nossos estádios sejam respeitados. Acima disso, desejamos que todo o torcedor tenha mínimas condições de prestigiar a sua grande paixão. Futebol não é apenas um espetáculo que as pessoas vão para admirar e aplaudir, não é uma peça de teatro ou um filme. Futebol envolve paixão, amor e todos os sentimentos existentes no mundo. “Apenas” por isso, cobrar preços justos e acessíveis para que todos nós, APAIXONADOS possamos apoiar, sentir e viver a emoção de jogar junto com nossos times do coração em qualquer estádio. Por um futebol com menos fãs e mais TORCEDORES.
Demissão de Marcelo Oliveira: mais um erro de uma diretoria amadora
José Eduardo
O ano de 2015 parece não acabar para o Cruzeiro. E mal começou. Desde a saída de Alexandre Mattos da diretoria de futebol do clube, a gerência celeste parece tentar apagar todas as glórias dos anos anteriores.
O Cruzeiro é o atual bicampeão brasileiro, finalista da Copa do Brasil, participou das últimas três finais do campeonato mineiro e chegou às quartas-de-final na Libertadores nos últimos dois anos. Parece um currículo invejável para qualquer equipe. Mas os erros da diretoria em horas decisivas e o ano de 2015 fazem o torcedor perder a cabeça e as esperança.
Sem Mattos, o Cruzeiro não conseguiu manter um grupo competitivo. Desfez-se das principais estrelas do grupo, Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Lucas Silva, Dagoberto, Marcelo Moreno, Borges, Egídio, Nilton, e contratou pouco e mal. Damião, Gabriel Xavier, Willians e De Arrascaeta foram as principais novidades. O último foi incumbido de ser o craque do time. Mas, com apenas 20 anos e jogando fora de posição, não conseguiu produzir o que se espera dele. As más contratações foram, na verdade, desastrosas. A começar por Riascos, já mencionado pelo Subindo a Linha como a pior contratação da história do Cruzeiro. Depois, jogadores medianos que vieram para compor elenco e encareceram a folha salarial: Fabiano, Douglas Grolli, Henrique Dourado, Felipe Seymour, Mena e Pará. Paulo André, Fabrício e Joel são um caso a parte. Jogadores que mostraram ter qualidade e pareciam dar certo no Cruzeiro, mas falharam e ainda encareceram muito o time.
Para piorar, o clube perdeu o patrocínio com a BMG e não consegue substituto. E os erros dos anos anteriores continuam. Ingressos caros afastavam a torcida do estádio. As cotas de televisão continuam infinitamente menores que a dos rivais do eixo Rio-São Paulo, por pura falta de companheirismo com a diretoria atleticana
As vitórias na Libertadores à base de raça, que faltava no elenco anterior, escondiam o mal futebol e a gerência amadora. O Cruzeiro sucumbiria em breve.
25 de maio. Começava ali o inferno celeste. A mãe de Marcelo Oliveira falece e o treinador mal consegue treinar o time para a batalha contra o River Plate.
27 de maio. O Cruzeiro é humilhado em casa, para um público de mais de 54 mil pessoas, em um silêncio fúnebre de uma torcida acostumada a ver o time campeão.
31 de maio. O Cruzeiro perde para o Figueirense fora de casa e cai para a penúltima posição do campeonato.
Mas a constatação do amadorismo ainda estaria por vir. No dia 2 de junho, uma semana após a perda da mãe, Marcelo Oliveira, técnico bicampeão brasileiro, está demitido. O clube ainda há de arcar com a multa recisória do treinador.
O novo técnico deve ser Luxemburgo. Obsoleto desde 2003, com passagens vergonhosas por Real Madrid, Grêmio, Flamengo, Atlético-MG. O salário é alto e a competência mínima.
O Cruzeiro ainda não conta com diretor de futebol, continua sem um meia-armador, o craque está jogando fora de posição e agora está sem técnico. O clube continua sem patrocínio, com folha salarial cara, inclusive pagando multas e salários para ex-funcionários: Marcelo Oliveira e Riascos, por exemplo. A torcida não crê em recuperação, o estádio não tem alma e o dinheiro não chega. O fundo do poço parece não estar tão distante.
Porque o São Paulo precisa de Osorio.
Por Rafael Montenegro
Começa 2015. Muricy Ramalho não consegue fazer o bom elenco do São Paulo jogar um bom futebol e não sucumbe aos problemas de saúde e ao ambiente insuportável criado no São Paulo. Milton Cruz assume, muda o estilo do time que, apesar de desapontar em momentos importantes, tem lampejos de jogo bem jogado. No meio da temporada, Juan Carlos Osorio é contratado para fazer render o elenco mais caro do Brasil. E tem potencial para arrumar uma bagunça que reina no São Paulo desde a primeira saída de Muricy, em 2009.
Para explicar preciso voltar ainda mais no tempo.
2004. O presidente do São Paulo é Marcelo Portugal Gouveia e o treinador é Cuca. Do Goiás ele importa Josué, Fabão, Danilo e Grafite – jogadores fundamentais para os títulos tricolores. É substituído por Leão que, bem a seu modo, não faz um bom trabalho – a ponto de queimar a passagem de Falcão no futebol de campo. Depois assume Paulo Autuori que, sem nenhum craque – a exceção de Rogério Ceni no auge -, monta um time ofensivo e eficiente de futebol bonito que conquista São Paulo, a América e o mundo.
2006. A presidência é passada a Juvenal Juvêncio. O apreciador de Blue Label traz Muricy Ramalho e compõe elencos competitivos e, acima de tudo, regulares. O São Paulo é tido como um exemplo de gestão, se consagra tricampeão brasileiro e consegue figurar entre os primeiros ainda na temporada de 2009.
Nesse período, o trabalho de Cuca deu origem ao estilo de jogo que culminou nos títulos com Paulo Autuori, que deixou um legado bem aproveitado na Era Muricy Ramalho. Mas, a partir do momento em que o São Paulo é eliminado pelo Cruzeiro na Libertadores de 2009 e Muricy é demitido, o São Paulo não consegue mais montar times campeões.
Juan Carlos Osorio é o décimo técnico que assume o Tricolor desde 2009. Além de Milton Cruz, que assumiu o time interinamente sete vezes, treinaram o são Paulo: Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Carpegiani, Adilson Batista, Emerson Leão, Ney Franco, Paulo Autuori e Muricy mais uma vez. Nenhum conseguiu implantar um estilo de jogo. Os únicos breves bons momentos tricolores nesse tempo dependeram diretamente da presença de jogadores espetaculares como Hernanes, Lucas e Kaká.
Todos esses técnicos tiveram a missão de reerguer o São Paulo. Ninguém conseguiu vencer e convencer. Todas as boas fases se esvaíram. E ao longo desse tempo o São Paulo viu o salto do Soberano crescer e proporcionar uma grande queda. O Corinthians conquistou a América e o mundo, o Palmeiras construiu um estádio e um próspero sistema de sócio-torcedor e o Santos continuou a galgar títulos (paulistas na maioria, mas com Copa do Brasil e Libertadores). O São Paulo se tornou obsoleto e não mete tanto medo. Pior de tudo, não achou uma identidade, um estilo de jogo.
A diferença
Osorio não chega da mesma forma que esses técnicos. Não tem a mesma origem, a mesma pressão e nem a mesma abordagem. A primeira coisa que o colombiano inspira é a curiosidade. É difícil afirmar se ele chega oferecendo algo diferente dos outros técnicos ou se ele é diferente por chegar oferecendo algo.
É um técnico que não repetiu a escalação nenhuma vez em mais de 100 jogos. Perfeito para estimular competição em um elenco com jogadores que não se sentem ameaçados, como Denilson, Souza ou Ganso.
É um técnico “acadêmico”: fez curso da UEFA na Holanda e estagiou por seis anos no Manchester City. Aprendeu com o que há de qualidade no futebol moderno e aplicou com sucesso no Atlético Nacional, onde ganhou seis títulos. Esse conhecimento teórico combinado com a rotatividade suprem uma demanda séria do Tricolor nos últimos anos: a variação tática.
Porque, justiça seja feita, ele tem na mão um bom time. Michel Bastos é a melhor contratação do São Paulo na década e a grande maioria dos jogadores do elenco brigaria por titularidade em muito time da Série A. Pra quem viu Carpegiani assumir para treinar Xandão, Carlinhos Paraíba e Juan, ver Osorio chegar com seu currículo para treinar Dória, M. Bastos e Ganso é um alento à esperança.
Obrigado, Sheik!
Vinicius Prado Januzzi
Márcio de Passos Albuquerque, 36 anos, não é dos jogadores mais disciplinados. Chega atrasado a treinos, dá declarações polêmicas, vai pra balada, toma cartões a rodo, enfrenta processos judiciais, estapeia-se com seguidores na internet. Sheik também não é dos jogadores mais habilidosos nem dos melhores finalizadores. Aliás, se há um fundamento no qual o jogador se destaca negativamente é no chute ao gol, seja de curta, média ou longa distância (não custa lembrar, a seu favor, os gols marcados contra o Santos na Libertadores de 2012 e contra o Once Caldas pela edição de 2014).
Deixemos de lado essas marcas atribuídas a ele e nos concentremos no que vale. Agora, fecho os olhos e volto ao dia 4 de julho de 2012. Corinthians e Boca Junior no Pacaembu, pela disputa da última partida da final do torneio intercontinental daquele ano. Uma semana antes, resultado precioso na Argentina, um 1×1 suado, conquistado no gol de Romarinho (pq faz iso?) e com um passe de Sheik. Festa absurda, com gente enlouquecida.
Primeiro tempo: 0x0. Sem vantagem para o gol fora de casa, o resultado não garantia o título. Aos 8 minutos, uma jogada meio sem nexo termina em passe genial de Danilo. De calcanhar, o meia joga para Sheik, que domina e fuzila. Gol. Gol. Gol. Para desentalar a garganta e pôr abaixo o estádio. Aos 27, Schiavi dá um passe fraco e Sheik consegue interceptá-lo. Estavam próximos a linha de meio campo. O atacante, então, começa a correr, enquanto corriam com eles todos os corinthianos nascidos, não-nascidos, vivos ou mortos. Já próximo ao gol, Sheik chuta rasteiro, no canto. A bola entra devagar, muito debagar, devagarinho, ou pelo menos foi essa a impressão de quem torcia naquele momento. Acabou por beijar a bochecha da rede. Gol. Gol. Gol. Obrigado, Sheik!
Sheik vai-se embora do Corinthians. Não tem a mesma forma física de antes, que o permitia acompanhar laterais e os atacantes adversários. Não tem mais o fôlego de outrora, que o permitir roubar bolas no meio de campo e avançar até o gol. Talvez merecesse ficar no time, por tudo que representa ao clube. Talvez. Não fosse o salário exorbitante, impagável para uma organização que queira se manter sadia financeiramente e, sobretudo, queira continuar brigando por títulos no futuro.
A dívida do Corinthians é das maiores do Brasil. No momento, ultrapassa os 300 milhões, como informa Rodrigo Mattos, em seu blog do UOL (http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2015/05/23/corinthians-tem-situacao-financeira-pior-do-que-na-gestao-dualib/). O saldo é pior do que o apresentado pela gestão
Dualib no momento crítico vivido em 2007. Necessário dizer: não é porque é pior este saldo que a gestão atual apresenta (digo atual porque Roberto de Andrade, o atual presidente, integra o grupo que comanda o Corinthians desde a eleição de Andrés Sanchez, nos tempos de rebaixamento do time para a série B do Brasileirão) que devemos retronar Alberto Dualib. Como diria minha vó: Vade retro, Satanás!
Corinthians endividado. Um estádio caríssimo para ser pago. Receitas com vendas de jogadores em decréscimo. Que fazer? Do ponto de vista administrativo e esportivo, claro que há muitas, mas uma fundamental é que a foi tomada na última semana: não manter atletas, quem quer que sejam, a todo custo, ampliando o fosso financeiro e jogando os problemas para o futuro. Não é possível ser tolerante com clubes devedores de impostos e outros valores e que negociam almas e recursos públicos para sanar seus problemas. Toleramos que o governo salve bancos em plena bancarrota? Futebol, é claro, é mais do que um patrimônio financeiro; esse é um detalhe, eu diria, o que pode fazer da analogia um pouco ridícula. Agora, até quando salvaremos nossos clubes e os dirigentes irresponsáveis de suas gastanças crescentes e sem lastro?
Por tudo isso e mais um pouco, obrigado Sheik! Os corinthianos não esqueceremos os gols daquela noite nem suas jogadas de raça. Claro que também não esqueceremos seus deslizes e seus chutes de potência duvidosa. Viver é relembrar também, escolher as memórias que nos fazem bem, motivo pelo qual escolhemos os seus gols, o seu show naquela noite de quarta-feira. Naquele dia, você fez um mundo mais alegre e fiel. Você foi Corinthians dos pés à cabeça! Obrigado Sheik!
Ex-Presidente da CBF, José Maria Marin, foi preso nesta quarta. Conheça sua história.
José Eduardo
José Maria Marin, nasceu em São Paulo, em 1932. De extrema-direita, Marin sempre aplaudiu de pé a ditadura militar no Brasil.
Começou sua carreira política em 1963, quando se elegeu vereador da cidade de São Paulo. Com o estouro da ditadura, Marin se filiou ao ARENA, que sustentava politicamente o governo militar.
Em 1975, Marin garantiu seu espaço na ditadura com o caso do canal 2, a TV Cultura. Na época, o então diretor da emissora, Vladiir Herzog, era tachado de comunista por apresentar denúncias sobre a pobreza e o abuso de poder por parte dos militares.
Herzog foi preso e, um ano depois, foi anunciado morto com causa mortis suicídio.
Em áudio disponível aqui, Marin aparece congratulando a política do Estado e do Governo por reprimir o comunismo representado pelo canal 2. Enaltece o então governador Fleury e congratula a pujança dos militares.
Em 1978, Marin foi eleito vice-governador do Estado de São Paulo, pela chapa de Paulo Maluf, assumindo o governo quando Maluf se ausenta para disputar o cargo de deputado estadual. Durante seu mandato, sofre com as duras críticas sobre o excesso de violência da polícia.
Em 2012, o então vice-presidente da CBF rouba uma medalha na premiação dos campeões da Copa São Paulo de Futebol. Nestas imagens, é possível observar Marin embolsando o prêmio para os jogadores.
Ainda naquele ano, longe da política há anos, José Maria Marin assume o cargo de presidente da CBF, após inúmero escândalos envolvendo o ex-presidente, Ricardo Teixeira. Marin corrobora a imagem de corrupta da entidade máxima do futebol brasileiro e mantém em vigor os contratos assinados por Ricardo Teixeira que venderam a seleção brasileira,Como o Subindo a Linha já abordou.
Em 2014, Marin abre todos os treinos da seleção durante a Copa do Mundo. O oba-oba toma conta do time. O técnico contratado por ele, o decadente Felipão, que o Subindo a Linha também comentou, não consegue fechar os treinos. Os adversários sabiam tudo sobre o Brasil. E, na semifinal, o Brasil tomou 7 a 1. Marin não se importou com o futebol. Deixou as promessas de lado e vendeu os jogos da seleção. Não queria fechar o treino, queria patrocínios e dinheiro. E o Brasil passou a maior vergonha de sua história.
27 de maio de 2015, José Maria Marin, com 83 anos, é preso, acusado de extorsão, fraude eletrônica, conspiração para lavar dinheiro entre outros crimes.
Riascos: A pior contratação da história do Cruzeiro
José Eduardo
O que leva um clube a contratar um jogador? Há vários fatores que movem uma diretoria a fazer loucuras.
Pode ser uma estrela, como Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, um craque, como Cristiano Ronaldo, que custou uma fortuna aos cofres do Real Madrid, uma promessa , como Ronaldo, que saiu do São Cristóvão para brilhar no Cruzeiro, ou até um ídolo do rival, para manchar a história do jogador no outro clube.
Mas na contramão, obviamente, há contratações vergonhosas. Apostas que não deram em nada, jogadores que não corresponderam em campo, marketing falho, estrangeiros desconhecidos.
Somente no Cruzeiro, há desastrosas contratações, que poderiam competir com Riascos, não fosse este uma junção de todas as categorias de falhas.
Lembremos (tentemos lembrar) Reinaldo Alagoano, Vanderlei, Breno Lopes. Jogadores que, certamente, esquecidos pela torcida. Jogaram pouco, mal, muito mal, mas vieram com salários baixos. Foram emprestados ou vendidos e o custo não saiu muito mais caro que o lucro.
No marketing falho, o ícone é Rivaldo. O clube havia acabado de vencer a tríplice coroa e se desfizera de quase todos os craques. A disputa da Libertadores iria começar e o Cruzeiro estava mal. Então trouxeram o jogador, com status de pentacampeão com o Brasil em 2002. Uma vergonha. O salário alto e o péssimo desempenho em campo jogaram todo o trabalho de marketing no ralo. Não ficou nem até o final do campeonato mineiro.
Mas onde Cruzeiro é especialista em fazer péssimos negócios é no exterior. Depois do sucesso de Aristizábal e Maldonado, em 2003, o clube resolveu apostar em trazer estrangeiros desconhecidos, que jogavam na Europa, e que poderiam se tornar ídolos celestes. Tapia, Farías, Seymour, Ortigoza, Espinoza fracassaram com muita força. Prediger, Fidel Martinez e Diego Arias sequer entraram em campo.
Mas nada comparado com Riascos.
O primeiro erro: apostar em um jogador que não é um novato. Riascos já tem 28 anos, não é uma promessa. A chance de haver algum retorno financeiro para o clube era mínima.
Segundo erro: o jogador não havia tido boas passagens por nenhum clube. Em 10 anos de profissão, Riascos passou por 9 clubes até chegar no Cruzeiro. Enquanto jogava na Colômbia, foi emprestado para clubes da segunda divisão e até para a China, antes de o futebol chinês ser rico como é. Foi para o México e passou por 4 times. Mais um gringo desconhecido e perna-de-pau.
Até aí parece ser só uma péssima contratação, mas nada fora do normal.
Até agora. Riascos é “ídolo” do Atlético-MG. Mas pelas razões erradas. Foi ele quem errou a cobrança de pênalti, pelo Tijuana, nas quartas-de-final da Libertadores 2013, vencida pelo Galo. Ele que consagrou Victor com a defesa emblemática da conquista. Ele entregou o maior título da história do rival do Cruzeiro por um lance de FALTA DE HABILIDADE.
Se a diretoria imaginou fazer marketing, na verdade ela entregou a faca e o queijo para o rival. E deu resultado. O jogador foi cobrado, entrou apenas quatro vezes em campo e reiterou a “idolatria” da torcida atleticana jogando pouco e mal.
Agora, o jogador foi emprestado ao Vasco da Gama. Engana-se quem pensa que o pesadelo acabou. O clube carioca arcará com apenas R$100 mil dos R$300 mil do salário do jogador. Ou seja, o Cruzeiro ainda pagará, aproximadamente, R$200 mil para manter um jogador em um time adversário, sem retorno algum.
Pobre Riascos, que nada tem a ver com isso. Continuará ganhando seu salário. Não teve culpa de ter sido comprado pelo Cruzeiro. A culpa é da diretoria celeste. Parabéns aos envolvidos.
Para os vascaínos, pode ser que Riascos dê certo. O jogador entrará em campo sem pressão e irá competir com jogadores de menor categoria que Alisson, de Arrascaeta, Gabriel Xavier, Judivan, Joel e Marquinhos. Por lá, Dagoberto, Gilberto e Rafael Silva devem se sobressair a ele, mas será uma opção no banco. E, se tudo der errado, ele volta ao Cruzeiro e finge que nem foi.

