RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 14ª RODADA
Por Rafael Montenegro
Por mais que a rodada tenha tido uns jogos bosta (apenas 16 gols) e nenhuma vitória de visitantes, teve tudo que há de necessário para movimentar um fim de semana de futebol:
– Boa média de público de 27.877 torcedores por jogo, graças a estádios lindamente cheios para os jogos de Flamengo, Corinthians e Sport e os clássicos no Rio e em São Paulo;
– Os clássicos tiveram treta! Ricardo Oliveira e Fernando Prass trocaram carinhos mais ríspidos em São Paulo enquanto Rodrigo fez Fred sair de campo apelando com jornalistas no Rio;
– Enquanto o Sport dava um baile no São Paulo, o juizão quis roubar a cena e teve uma exibição pra lá de questionável.
Vamos aos dez jogos da rodada:
SÁBADO
INTERNACIONAL 2X1 GOIÁS
BEIRA-RIO
PÚBLICO: 19.373
Abrindo a rodada, o Goiás visitou o Internacional, que, entre dois jogos decisivos de Libertadores, mandou a campo um time B. E o Colorado não conseguiria sair com a vitória se não fosse a ajuda de um ex-jogador: o goleiro Renan. Aos 13 do segundo tempo, o goleiro do Goiás saiu mal, rebateu a bola em cima de Eduardo, que saiu livre para empurrar para o fundo das redes. Aos 35, Felipe Menezes empatou de pênalti e deu a impressão de que o Goiás conseguiria roubar um ponto em Porto Alegre. Mas Renan falhou de novo. Aos 42, cobrança de escanteio pro Inter. Renan sobe, agarra a bola como quem agarra um sabonete e a pelota sobra para Eduardo Sasha dar a vitória ao Inter. O Colorado agora respira de vez: é o 10º colocado e pega a Ponte em Campinas na próxima rodada. O Goiás é o primeiro fora da zona de rebaixamento e enfrenta o Flamengo em Goiânia.
FLAMENGO 1X0 GRÊMIO
MARACANÃ
PÚBLICO: 51.055
A torcida do Mengão encheu o Maraca para acompanhar a estreia de Paolo Guerrero em casa. Mais de 50 mil pessoas ajudaram o time contra dois adversários: o bom time do Grêmio e o péssimo retrospecto do Fla como mandante (tinha apenas uma vitória em casa). E o Guerrero sabe mesmo como fazer gol: num bate-rebate da suruba na área, a bola sobra para o atacante apenas empurrar pra dentro do gol e sair atirando pra massa rubro-negra. O Mengão agora é o 14º colocado. O Grêmio, que bateu bastante durante a partida, perdeu a vaga no G4, caiu para 5º e na próxima rodada recebe o Sport para um jogo de seis pontos.
Cabe uma ressalva: A capacidade do New Maraca é de mais de 78 mil torcedores. Nesse jogo o estádio estava praticamente lotado e tinha pouco mais de 51.000. O que será do futebol brasileiro transformando o Maracanã numa Arena (não é mais estádio) que não lota?
CORINTHIANS 1X0 ATLÉTICO-MG
ARENA CORINTHIANS
PÚBLICO: 36.577
Vitória com o Selo Tite de Titebilidade: a competência tática e a eficiência se sobrepondo à qualidade técnica. O Galo, de maneira geral, jogou mais – mas agrediu pouco. Quando acionado, o goleiro corinthiano Walter deu conta do recado. Em jogada de contra-ataque, Vágner Love puxou a bola em velocidade (sim) e rolou para Malcom. O jovem atacante, envolvido em polêmica quanto a uma suposta compra da carteira de habilitação, finalizou com qualidade e explodiu a fiel torcida, que lotou a arena em Itaquera.
O Timão igualou o Galo em número de pontos e as duas equipes estão na ponta da tabela. O Atlético é líder pelo saldo de gols. Na próxima rodada, o Corinthians visita o Coritiba. Já o Galo vai receber o Figueirense.
DOMINGO
ATLÉTICO-PR 1X0 CHAPECOENSE
ARENA DA BAIXADA
PÚBLICO: 17.774
Depois de três derrotas consecutivas, o Furacão contou com a força da torcida para vencer um jogo bem disputado contra a Chape. No horário da matinê de domingo, o Atlético fez seu gol aos 6 do segundo tempo: cobrança de escanteio pela esquerda para o volante Hernani cabecear forte no primeiro pau. Foi a segunda derrota seguida do time de Chapecó, que tem uma campanha horrível fora casa: ganhou um jogo, contra o Cruzeiro, e perdeu os outros 7.
O Furacão é oitavo e a Chape, nona. Na próxima rodada o Atlético enfrenta o Avaí em Florianópolis. Já a Chapecoense recebe o Fluminense.
FLUMINENSE 1X2 VASCO
MARACANÃ
PÚBLICO: 41.764
O Fluminense deu um chapéu no Vasco, contratou Ronaldinho Gaúcho e o apresentou antes do clássico. O Tricolor ainda tinha a maioria esmagadora da torcida, graças à imbecil campanha de Eurico. Além disso, tinha a chance de assumir a liderança contra o rival na zona de rebaixamento. Mas se tem algo que o Vasco sabe em 2015, é jogar contra cariocas: além de ganhar o estadual, duas das suas três vitórias no campeonato foram em clássicos (contra Fla e Flu).
Andrezinho abriu o placar de cabeça, fazendo seu primeiro gol com a camisa do Vasco. Marcos Júnior empatou com um belo gol, levantando a bola com o peito e batendo sem deixar cair. Mas Jhon Cley fez um golaço mais bonito, batendo de muito longe. O clássico ainda teve uma treta exemplar entre Fred e Rodrigo. O Vasco continua na zona de rebaixamento (18º) e o Fluminense caiu para a terceira colocação.
SPORT 2X0 SÃO PAULO
ARENA PERNAMBUCO
PÚBLICO: 41.994
Antes de mais nada: o Sport jogou muito – como vem jogando em todo o campeonato. Dominou o jogo e venceu o São Paulo por méritos, não sendo incomodado ao longo de toda a partida (à exceção de um lance em que Pato pipocou frente ao goleiro). Os gols foram de Élber e Ferrugem e colocaram o Leão de volta ao G4
Dito isso, resta saber quem foi pior: o São Paulo ou o árbitro. O Tricolor não soube atacar, não aguentou se defender e falhou, acima de tudo, no emocional – isso para não questionar da índole de Ganso e Luís Fabiano, expulsos enquanto seus nomes são cotados em tranferências. Mas a atuação do juiz foi desastrosa. No fim do primeiro tempo, não marcou um pênalti para o São Paulo em toque de mão na área; na sequência da jogada, marcou pênalti para o Sport em falta dentro da área, mas mudou de ideia e deu falta fora. Quanto às expulsões: o primeiro cartão para Luis Fabiano foi bem questionável, o segundo para Ganso foi por ele ter dito “sacanagem” e a de Osório foi um absurdo, já que o técnico se dirigiu a Rafael Tolói, e não ironizou o árbitro, como alegado. O Tricolor caiu para a sétima posição e preocupa pela irregularidade.
FIGUEIRENSE 0X0 CORITIBA
ORLANDO SCARPELLI
PÚBLICO: 8.424
Num jogo fraco, com pouca criação e dois times que não se agrediram, o Figueira e o Coxa não saíram do zero. Em Florianópolis, o time de Argel Fucks não soube trabalhar a bola pelo meio e baseou seu jogo em jogadas pelas laterais e ligações diretas. No fim, o empate no Jogo Bosta da Rodada foi ruim para as duas equipes. O Figueirense, que se classificou heroicamente na Copa do Brasil contra o Botafogo no meio de semana, vai chegando mais perto da zona de rebaixamento. O Coxa, que mesmo vencendo não sairia do Z4, agora é o vice-lanterna. Agora o Figueira vai ao Horto jogar contra o líder Atlético-MG enquanto o Coritiba recebe o quase líder Corinthians.
PALMEIRAS 1X0 SANTOS
ALIANZ PARQUE
PÚBLICO: 38.220
O Palmeiras segue numa sequência incrível! Depois de tropeçar no Sport fora de casa, o Verdão venceu o terceiro clássico no Campeonato Brasileiro e conquistou 16 dos últimos 18 pontos que disputou. O gol da vitória foi marcado por Leandro Pereira: ele fez bem o pivô e bateu com muita qualidade de canhota.
Ao longo da partida, o goleiro palestrino Fernando Prass e o atacante do Peixe Ricardo Oliveira trocaram socos, empurrões e se derrubaram. Ao final da partida, trocaram acusações e ambos chamaram o outro de desleal. Não que estejamos incitando a violência, mas é bom ver o futebol deixar de ser hashtags e nos proporcionar clássicos cheios de farpas.
Agora o Porco é o 6º e visita o Vasco, num clássico cheio de tradição. Já o Peixe, de péssima campanha, abre a zona de rebaixamento e recebe o Joinville na próxima rodada.
JOINVILLE 1X1 PONTE PRETA
ARENA JOINVILLE
PÚBLICO: 8.250
O JECão da Massa e a Macaca foram os dois melhores times da Série B do ano passado. Depois de conquistar o título após ferrenha disputa com o rival campineiro em 2014, o JEC saiu na frente aos 10 da segunda etapa. Após boas mudanças do técnico Adilson Baptista, Silvinho cabeceou bem e abriu o placar. Mas aos 29, Fernando Bob empatou de pênalti.
O Joinville continua fazendo uma campanha ruim: é o lanterna e enfrenta o Santos fora de casa na próxima rodada. Já a Ponte, que começou bem o campeonato e caiu após a saída do craque Renato Cajá, recebe o Internacional.
CRUZEIRO 1X1 AVAÍ
MINEIRÃO
PÚBLICO: 15.346
O time cruzeirense começou bem a partida, fez o gol e tinha controle do jogo. Criava bastante enquanto o goleiro Fábio só observava. Mas o atacante Joel saiu lesionado ainda no primeiro tempo e tudo mudou. Com a entrada de Leandro Damião, o Cruzeiro abusou das jogadas pelas laterais e dos lampejos do ótimo Marinho. Gilson Kleina tirou o único jogador que estava dando trabalho para o Cruzeiro, Rômulo, e colocou Everton Silva. No lugar de William, entrou André Lima. E não deu outra. Everton Silva conteve as chegadas do Cruzeiro pela lateral esquerda celeste enquanto, em MAIS UM erro de Paulo André, que está procurando a bola até agora, André Lima matou o goleiro Fábio. Placar justo para um Cruzeiro sem ambição, exceção feita a Marinho, que já pode ser considerado a estrela do elenco. Agora o time mineiro, 12º, visita o São Paulo enquanto o Avaí, 13º, recebe o Furacão.
RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE B – 13ª RODADA
Por José Guilherme
(Atenção: texto com alta dose de saudosismo e pode fazer você sentir muita saudade de um certo time campeão do mundo em 2002. O Subindo A Linha não se responsabiliza por possível depressão causada aos leitores que compararem aquela Seleção com a atual)
A décima terceira rodada da Série B marcou a história do futebol brasileiro (Ficou curioso? Continue lendo este resumo) e continuou apresentando muito equilíbrio, como já tem sido praxe neste campeonato. A seguir o que de melhor aconteceu nas 10 partidas:
MOGI MIRIM 3 X 1 MACAÉ
ROMILDO FERREIRA
1736 TORCEDORES
Ver a história ser escrita pelos grandes nos seus respectivos esportes é muito gratificante, e os amantes do futebol deveriam ficar mais do que maravilhados com o que tem proporcionado Rivaldo, que segue escrevendo linhas no extenso e glorioso livro da sua carreira. Nesta terça, o craque pentacampeão mundial foi a estrela da vitória do Mogi ante o Macaé, sendo responsável direto por todos os gols da partida, com um gol e um passe para o cruzamento que originou outro. O detalhe é que o autor dos outros dois gols foi…RIVALDO JÚNIOR! A dupla usou do entrosamento que só a paternidade poderia proporcionar e guiou o SAPO (bela alcunha, aliás) rumo à vitória. Rivaldinho marcou no início da partida, seu pai ampliou a vantagem em cobrança de pênalti e o Júnior marcou mais uma vez, com Pipico descontando para os visitantes. Devemos reverenciar os grandes que colocaram o Brasil no topo do futebol mundial e Rivaldo é, sem dúvida, um patrimônio do nosso futebol 5 estrelas.
Nota: apenas algumas horas após esse grande episódio, o Presidente Rivaldo vendeu o Mogi para um grupo de empresários. O futebol empresarial segue crescendo. Uma pena.
ABC 1 X 4 PARANÁ
FRASQUEIRÃO
PARTIDA REALIZADA COM PORTÕES FECHADOS
O Paraná precisou dos bons ares do Nordeste para se recuperar na Série B. E que bela maneira de se recuperar: uma sonora goleada para se afastar um pouco da zona da degola. Pior para o ABC, que até começou vencendo com gol de Edno, mas viu os Paranistas conseguirem a virada com tentos de Danielzinho, Ricardinho, Washington e Lucas Pará. A torcida do ABC pelo menos foi poupada de presenciar a goleada, já que o jogo foi realizado com portões fechados, devido a uma punição sofrida pelo time de Natal. O ABC é décimo terceiro e viu o Paraná chegar na sua cola na classificação.
VITÓRIA 3 X 1 CRB
BARRADÃO
10458 TORCEDORES
A terceira vitória nos ultimos 4 jogos foi construída em 45 minutos pelo Leão da Barra, com três gols na primeira etapa (Daniel Marques contra, Elton e Diogo Mateus). Naturalmente, no segundo tempo o Vitória relaxou e viu os visitantes reduzirem com Leandro Brasília. Mas foi só. Os baianos alcançaram a vice-liderança enquanto o CRB caiu para a décima sexta colocação.
LUVERDENSE 2 X 1 BRAGANTINO
PASSO DAS EMAS
874 TORCEDORES
No duelo entre a equipe com o melhor nome e a com o melhor apelido da competição, melhor para o time de Lucas do Rio Verde. O Massa Bruta começou vencendo com gol de JOBINHO, mas os donos da casa conseguiram a virada nos pés de TOZIN, que marcou os dois gols e garantiu a vitória do Verdão do Norte dentro dos seus domínios e levou a equipe para a décima quinta posição, enquanto o Braga é décimo primeiro.
BOTAFOGO 1 X 0 NÁUTICO
ESTÁDIO NILTON SANTOS
9049 TORCEDORES
O Botafogo apostou em soluções caseiras para vencer a partida e afastar o mau momento, após eliminação na Copa do Brasil e a demissão do treinador Renê Simões. E deu certo! Com 7 dos 14 jogadores que atuaram pela equipe oriundos das categorias de base e um treinador interino (Jair Ventura, filho do Furacão da Copa de 70, Jairzinho), que também trilhou seu caminho no clube treinando equipes da base, a equipe conseguiu uma vitória magra e suada. O gol foi de Lulinha, em seu primeiro toque na bola após entrar em campo. Com a vitória o Botafogo permanece, graças ao tropeço das outras equipes, isolado na liderança. O Náutico caiu para quinto.
SANTA CRUZ 3 X 0 ATLÉTICO-GO
ARRUDA
10220 TORCEDORES
O Santinha segue a sua escalada na série B, desta vez com uma maiúscula vitória sobre o Atlético. Com gols de Lelê (duas vezes) e Daniel Costa, o tricolor chegou à sua quarta vitória nos últimos 5 jogos, alcançando a nona posição, ainda um pouco distante do G4. Já o Dragão ocupa a penúltima colocação, e já está com vaga quase cativa no Z4 desde o início da competição.
CRICIÚMA 2 X 1 BAHIA
HERIBERTO HÜLSE
5108 TORCEDORES
O Criciúma não sabe o que é perder desde que DEJAN PETKOVIC assumiu o comando da equipe. A vítima da vez foi o Bahia, que fez um confronto bastante disputado mas acabou derrotado. Com gols de Rodrigo e Adalberto para os donos da casa e Tiago Real para os visitantes o Criciúma chegou ao sexto jogo invicto. Com a vitória o Tigre assumiu a décima posição e o Tricolor caiu para quarto.
PAYSANDU 1 X 1 SAMPAIO CORRÊA
MANGUEIRÃO
23984 TORCEDORES
A torcida do Papão mais uma vez compareceu em peso para apoiar sua equipe, mas o Paysandu não conseguiu chegar à vitória. Os donos da casa pressionaram, buscaram os gols – sempre se utilizando das elétricas investidas de Yago Pikachu – e até saíram na frente com gol de Gualberto. No entanto, o Sampaio conseguiu o empate com gol de Plínio. O Papão da Curuzu permanece em sexto enquanto os maranhenses vem logo atrás.
BOA ESPORTE 0 X 0 CEARÁ
DILZON MELO
Toda rodada tem o seu jogo “sem sal” e dessa vez BOA e Ceará foram responsáveis por protagononizar tal partida, o que não chegou a ser supresa já que ambas as equipes estão na zona da degola e empatadas como segundo pior ataque da competição. Os mineiros estão na décima sétima posição enquanto o Vozão é o lanterna.
OESTE 3 X 1 AMÉRICA-MG
JOSÉ LIBERATTI
O Oeste, que em toda a série B tem jogado em Osasco, dessa vez fez valer o seu mando de campo e conseguiu a vitória, com gols de Mazinho, Wagninho e Rodriguinho. Marcelo Toscano(inho) diminuiu para os visitantes, que ainda reclamaram de nada menos que TRÊS supostos pênaltis não marcados pelo árbitro. O Rubrão que não tinha nada a ver com isso saiu com os três pontos e ocupa agora a décima segunda colocação. O Coelho segue no G4 mas caiu para terceiro.
Alcides Ghiggia e a síndrome de Estocolmo
Arthur de Campos
Síndrome de Estocolmo. Assim é chamado o distúrbio mental desenvolvido por pessoas que passaram por grandes situações de choque e tensão. Consiste na afeição e no carinho desenvolvido pelas vítimas em relação aos seus agressores. Justamente aqueles que causaram tanto sofrimento, amados e queridos por aqueles que sofreram em suas mãos. Ou pés, em nosso caso.
O seu nome era Alcides Ghiggia, ou só Ghiggia para os íntimos. Ele foi o responsável por aquele que a mitologia da bola diz ser o maior silêncio já visto em um estádio de futebol em toda a sua história. O ano era 1950, e o palco da façanha era um saudoso Maracanã lotado, com 200 mil pessoas em suas arquibancadas. Ele era o ponta-direita da seleção do Uruguai que enfrentou o Brasil, time da casa, naquele fatídico dia 16 de julho, final da Copa do Mundo.
Falar de sua habilidade com os pés é uma tarefa árdua para aqueles que nem imaginavam que viriam a esse mundo na época em que ele jogava. Mas falar disso, no caso dele é o de menos. Ghiggia era mais que um jogador de futebol: era o cordão umbilical do brasileiro com o fracasso. O último sobrevivente do Maracanazzo, aquele dia que calou milhões de brasileiros e que condenou tantos jogadores daquela seleção (menção honrosa para o goleiro Barbosa que sofreu até os últimos dias de sua vida com o estigma de vilão daquela Copa) e mudou o jeito brasileiro de se olhar para o futebol.
Aquele gol, aos 34 minutos do segundo tempo, em uma tarde ensolarada no Maraca, rasgou as redes de Barbosa e entrou para a história. O Brasil havia aberto o placar com Friaça, sofrido o empate pelos pés de Schiaffino. Mas na cabeça do torcedor, aquilo não era problema. A vitória viria, afinal, somos os brasileiros, não é mesmo? “A ginga joga ao nosso lado, não há o que temer! ”. Enfim, havia ali um Ghiggia para nos lembrar que a derrota não apenas faz parte do jogo, mas pode vir quando se menos espera.
Mas, diferentemente do que se pode pensar, o algoz brasileiro não odiava o Brasil. Muito pelo contrário, desenvolveu um carinho enorme pelo nosso país, e foi abraçado. Era a Síndrome de Estocolmo agindo. O cara que arrancou das nossas mãos o primeiro título mundial era brasileiro, na alma. Tão brasileiro era que morreu do jeito que todo brasileiro amante de futebol sonha: vendo jogo. Morreu vendo o esporte que havia lhe dado tudo na vida. Que nos dá forças todo dia para levantar de manhã e esperar pacientemente as quartas e os domingos.
Síndrome de Estocolmo essa que viria a jogar do nosso lado, oito anos depois na Copa da Suécia. Na própria Estocolmo viria, dos pés do menino de 17 anos que viria a ser coroado Rei, o tão sonhado título, e Ghiggia conseguiu de vez que o povo brasileiro aceitasse as suas desculpas. O Brasil viria a se tornar o maior campeão de Copas do Mundo. A de 50 não fazia mais falta, pois tinham mais cinco na estante que fica no coração do torcedor brasileiro.
E nos braços do povo uruguaio e do povo brasileiro, aos 88 anos ele se foi, e com toda certeza em paz. Nos deixou órfãos de uma figura simpática e afável, que amava o Futebol acima de tudo, e nos trouxe a lembrança da derrota retumbante, pouco mais de um ano após a mais retumbante derrota da história do Futebol, e que com certeza foi pouco. Fica a certeza que, lá do céu, ele bate bola com os anjos e, com uma bandeira do Uruguai e outra do Brasil na mão, torce por dias melhores para nós, e a reflexão do que se fazer depois de um trauma daqueles. Que venha outra síndrome de Estocolmo.
RESUMÃO SUBINDO A LINHA: LIBERTADORES – SEMIFINAL – IDA
Neste meio de semana foram realizados os dois jogos de ida das semi-finais da Libertadores da América.
Os gigantes River Plate e Internacional receberam as surpresas da competição: os paraguaios do Guaraní e os mexicanos do Tigres.
Nos dois jogos, melhor para os colossais mandantes. Destaque para suas torcidas: os millonários e os colorados deram espetáculo empurrando seus times. Destaque também para os belos gols de Mora, D’Alessandro, Ayala e, por que não, Valdívia.
RIVER PLATE 2X0 GUARANÍ
MONUMENTAL DE NUÑEZ
Nas duas fases anteriores, o Guaraní eliminou o Corinthians e o campeão argentino Racing surpreendendo dentro de casa e administrando o resultado fora. Dessa vez, graças à risível campanha do River na fase de grupos, o primeiro jogo foi em Buenos Aires. O Guaraní jogou para empatar e levar a decisão para o Paraguai. E até conseguiu segurar o 0x0 na primeira etapa, apesar do domínio dos Millonários, que finalizavam pouco com uma pontaria preocupante.
Mas no segundo tempo, o River conseguiu a vitória. Após cobrança de escanteio, o lateral Gabriel Mercado aproveitou a bola que sobrou no meio da área e fuzilou para abrir o placar e levar o Monumental de Nuñez à erupção. Depois de sofrer o gol, o Guaraní tentou se lançar mais ao ataque, atrás de um gol fora de casa, que vale muito. Esse movimento de tentar atacar abriu espaços que deram origem a uma obra-prima: Rodrigo Mora foi lançado com bastante espaço, entrou na área pela direita, observou a movimentação do goleiro e finalizou com muita categoria, encobrindo o arqueiro Aguilar, que deu uma contribuída. Um golaço que deixa las gallinas muito perto de sua primeira final de Libertadores em 19 anos. O time paraguaio precisa vencer por três gols – novo 2×0 leva o jogo para os pênaltis.
INTERNACIONAL 2X1 TIGRES
BEIRA-RIO
Os torcedores do Inter compareceram em peso ao Gigante da Beira-Rio e quebraram o recorde de público do estádio pós-reforma: 44.884 presentes. Já na chegada dos ônibus, um show de sinalizadores e cantos construiu um clima fantástico que contagiou os jogadores. Logo aos 3 minutos, o nervoso Ayala tentou recuar a bola, que desviou em Nilmar e sobrou para D’Alessandro. O argentino chutou de primeira, de bico e acertou o canto esquerdo do goleiro Guzmán. Festa no Beira-Rio. O Inter aproveitou o bom começo e pressionou o nervoso Tigres. Pouquíssimo depois do primeiro gol, aos 9, a jogada chega a Valdívia, na ponta-esquerda da área. O Poko Pika, com personalidade, chuta, a bola desvia na defesa e encobre o goleiro: um belo gol que criou um êxtase em vermelho.
Após o segundo gol, o Inter perdeu o fôlego e viu o Tigres crescer progressivamente na partida. Aos 23, um gol importantíssimo para os mexicanos: cruzamento de Sóbis na área do Inter e Ayala cabeceia com categoria no canto do goleiro Alisson. Ainda no primeiro tempo, Sóbis e Gignac tiveram boas chances, mas pararam em boas defesas do goleiro Alisson.
No segundo tempo, o badalado Ayala tomou o segundo amarelo, foi expulso e dificultou o sonho de empate dos mexicanos. Mas o Internacional não conseguiu aproveitar a vantagem numérica e ampliar o placar. O ímpeto colorado, implacável nos dez primeiros minutos, foi contido pelo Tigres, que se classificam para a final com uma vitória por 1×0.
Destaque para Rafael Sóbis. Em sua volta ao Beira-Rio, o jogador se declarou “sem emoções”. Foi o suficiente para receber, toda vez que tocava na bola, uma sonora vaia. Ao sair – e, mais uma vez, ser ensurdecedoramente vaiado – se virou à torcida Colorada dizendo “que coisa feia” em tom de reprovação.
10 anos do Tri: lembranças de um pivete de 11 anos.
Por Rafael Montenegro
Eu era um pivete estranho. Não jogava bola no intervalo e ironizava 22 marmanjos correrem atrás de uma bola. Não gostava do futebol até ver aquela genial Seleção (RIP) de 2002. Aí também é covardia: não tinha como não se encantar assistindo um time que reunia Marcos; Roque Júnior, Lúcio e Edmilson; Cafu, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho, Kléberson e Roberto Carlos; Rivaldo e Ronaldo. Aos oito anos, me apaixonei pelo futebol.
Por influência do meu irmão, virei São-Paulino. Era uma fase não tão gloriosa assim: depois da irretocável primeira metade da década de 90, o jejum durou do Paulista de Denilson e Raí em 98 até o Rio-São Paulo de Cacá e França em 2001. Lembro bem das duas derrotas 3×2 nas finais do Paulista de 2003.
Lembro bem de 2004, quando cheguei com o jornal no colégio impressionado com o fato de Serginho ter morrido no Morumbi. A volta do São Paulo à Libertadores depois de dez anos me ensinou o que é o futebol. Nas oitavas, contra o Rosário Central, o jogo teve roteiro minuciosamente escrito pelos melhores roteiristas dentre os Deuses do Futebol. Ainda nesse ano, a virada contra o Palmeiras, com gol de Cicinho aos 48 depois de 3 rebotes me mostrou como se comemora uma vitória suada em clássico.
Aí veio 2005 e a Libertadores que culminou no que aconteceu há exatos dez anos. Naquele 14 de julho de 2005, o São Paulo derrotou o Atlético-PR e se sagrou tricampeão da América. Minha mente de apenas onze anos não conseguia conceber o quanto aquele momento foi importante. Conseguiu apenas celebrar como nunca e como nunca mais.
Um título que coroou ídolos em todas as posições. O goleiro-artilheiro que ainda não tinha derrubado todos os recordes possíveis. Lugano, o baluarte da raça, exaltado até hoje por não aceitar perder uma bola. Aquela zaga ainda contava com Fabão, Edcarlos e Alex Bruno. Nas laterais, o jovem Cicinho e o pentacampeão Júnior. A dupla de volantes mais entrosada que eu já vi, Mineiro e Josué. Danilo, o morto muito louco. Luizão, Amoroso, Tardelli e Grafite no ataque. E pensar que o ídolo do futsal ainda integrou o elenco no começo da temporada, mas não teve espaço no time sob o comando de Emerson Leão.
Toda a competição foi uma escola de como funciona o futebol. O São Paulo terminou invicto em um grupo que reunia a essência do futebol na América: o time boliviano da altitude (The Strongest), o time argentino que abusava da catimba (Quilmes do zagueiro Desábato, preso em São Paulo após chamar Grafite de macaco) e o time chileno chato (Universidad de Chile).
Nas oitavas, um clássico. Contra o Palmeiras, Cicinho fez um golaço de canhota no jogo de ida, no Parque Antártica, que ainda não era uma arena. Na volta, Rogério marcou o primeiro de pênalti contra outro grande ídolo das metas, São Marcos. No finzinho do jogo, Cicinho fez mais um. Percebeu que os palmeirenses não armaram barreira para uma cobrança de falta de muito (muito) longe e acertou a bola no canto esquerdo de Marcos.
Nas quartas, os mexicanos do Tigres. O jogo de ida foi o suprassumo do melhor ano da carreira de Rogério Ceni. 2005 foi a temporada em que mais marcou gols: 21, sendo 5 só na Libertadores. No Morumbi, o goleiro-artilheiro cobrou duas faltas com perfeição e fez metade dos gols da goleada Tricolor. O árbitro ainda marcou um pênalti para o São Paulo, mas Rogério isolou e perdeu a chance de ser o primeiro goleiro da história a fazer um hat-trick. Na volta, com a classificação encaminhada, o Tricolor perdeu por 2×1 e viu ir embora a chance de um título invicto. Que tragédia…
O chaveamento proporcionou um duelo de titãs nas semi-finais: São Paulo e River Plate. Dois bicampeões coperos y peleadores. Aquele time do River tinha Lucho Gonzáles, Marcelo Gallardo, Javier Mascherano e Marcelo Salas. Na ida no Morumbi, Rogério marcou de pênalti e ZiDanilo acertou um lindo de chuta de fora da área que deixou argentinos caídos pelo caminho. Na volta, Danilo fez o primeiro de cabeça após cobrança de escanteio. O River empatou. Fabão fez o segundo em chute forte e mascado de fora da área. E Amoroso, que estreava naquela partida, preenchendo a vaga deixada pela contusão de Grafite, completou cruzamento de Júnior e fez o terceiro, dando ao São Paulo sua primeira vitória em território argentino e o passe para a decisão da maior competição do continente.
Pela primeira vez na história, a final da Libertadores seria disputada por dois times do mesmo país. O São Paulo iria enfrentar o Atlético-PR, então vice-campeão brasileiro. Em uma polêmica que eu não entendi direito na época, o Furacão foi impedido de jogar na Arena da Baixada (onde o São Paulo nunca venceu), que não comportava os 40 mil torcedores como exigia o regulamento. O Atlético teve que levar o jogo para o Beira-Rio, em Porto Alegre, o que até hoje é motivo de reclamação. Lembro que não estava em casa quando o jogo começou: estava comprando a camisa preta, com um gigante RC na frente e o número 1 nas costas, imortalizadas em todas as fotos que mostram Rogério levantando a taça. Lembro de ouvir pelo rádio o gol de Aloísio e toda a aflição que uma narração pelo rádio causa. Lembro de comemorar em casa o gol de empate, marcado por Durval, contra.
E então, naquele 14 de julho, exatos 10 anos atrás, eu vivi uma noite insuperável. Lembro que era uma quinta-feira, e não a tradicional quarta do futebol. Lembro da disposição dos móveis na sala, dos três amigos do meu irmão que foram assistir o jogo lá em casa e da disposição de todas as pessoas pelos móveis da sala.
Lembro da tensão que me acompanhou durante todo o dia e que começou a se dissipar quando eu vi os mais de 70 mil torcedores receberem o time com o hino, sinalizadores, muita luz e muita fumaça. E lembro de sentir a tensão dar lugar à alegria quando Luizão deu o passe de calcanhar para Danilo na ponta da área. Danilo chuta de primeira com a perna direita e o goleiro dá rebote. O mesmo Danilo divide com o goleiro e outros dois adversários e a bola sobra para Amoroso, tranquilo, desviar do zagueiro e fazer tremer o gigante de concreto. Lembro bem da comemoração de Amoroso, segurando o escudo da camisa e bradando com saudosa raça: “aqui é São Paulo, porra!”
Mas a tensão voltou: no fim do primeiro tempo, pênalti para o Atlético. O mesmo Aloísio Chulapa que fez gol no jogo de ida e seria um ídolo no Tricolor nos anos seguintes caiu na área. Fabrício cobrou. Aqueles segundos em que a bola viajou foram eternos. Rogério voou no canto certo. Deu a entender que defenderia. Por um instante a bola passa por ele e carimba violentamente a trave. Treme pela segunda vez o Morumbi.
Aos 7 do segundo tempo, Cicinho, que fez uma temporada tão maravilhosa que foi contratado pelo Real Madrid, cobrou o escanteio na cabeça do Fabão. O camisa 3, da marca do pênalti, testou com precisão cirúrgica e colocou a bola no ângulo, acima do alcance do zagueiro que cobria a trava. Pela terceira vez, o Cícero Pompeu de Toledo treme, vibra e canta.
Aos 26, Amoroso encara o zagueiro pela direita, perto da área. Puxa a bola para o meio, para perto do zagueiro, que dá o bote. Mais rápido que o bote, Amoroso puxa a bola para a direita, deixa o zagueiro na saudade e entra na área; levanta a cabeça, vê seu companheiro de base no Guarani Luizão livre e faz um cruzamento na medida. O goleiro voa e não acha nada. Luizão empurra pra dentro com tranquilidade, leva os torcedores aos céus e vai às lágrimas. Aos 44 do segundo, ainda teve tempo para aquele garoto estranho vindo da base, de apenas 19 anos, fazer o seu e escrever pela primeira vez (haveria uma outra) seu nome na história da Libertadores da América. Depois de boa jogada de Mineiro, Diego Tardelli domina na entrada da área, corta o zagueiro e bate seco, firme no canto. 4×0.
O jogo terminou e a euforia se estendia aos quase 20 milhões de são-paulinos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. O mesmo São Paulo que mudou o olhar do futebol brasileiro com a Libertadores em 92 e 93 voltava a levantar o segundo troféu mais bonito do futebol – atrás da Copa do Mundo. Hoje me impressiona a eficiência defensiva e a qualidade ofensiva daquele time. Naquela época só me encantava aquele jeito de jogar futebol e eu nem sabia o porquê.
Cada um dos jogos dessa campanha nunca saiu da minha memória. Lembro do clima das noites de meio de semana sempre que o São Paulo jogava essa Libertadores. Lembro do gosto de cada gol. Lembro bem que, se a Copa de 2002 foi o que vi de melhor como torcedor da Seleção, essa Libertadores foi o que vi de melhor como torcedor do São Paulo.
RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE B – 12ª RODADA
Ao fim de mais uma rodada da Série B, as quatro equipes na tão sonhada zona de classificação para a primeira divisão estão EMPATADAS com 24 pontos. A distância do líder para o oitavo colocado é de apenas 3 pontos. É ou não é uma baita duma competição (como já diria craque Neto) essa Segundona? Vamos ao que de melhor aconteceu na rodada.
MACAÉ 2 X 1 PAYSANDU
MOACYRZÃO
PÚBLICO: 2805
Um jogo com todos os ingredientes de emoção. O Paysandu começou vencendo logo no início da partida com gol de Gualberto, mas os donos da casa chegaram ao empate no começo da segunda etapa com um golaço de Marquinhos. Tudo se encaminhava para um empate até que aos 44 do segundo tempo um pênalti foi assinalado para o Papão. Desânimo total do lado do Macaé, afinal tudo indicava mais uma derrota. Mas não para Rafael. O goleiro fez a sua parte e defendeu a cobrança. Tudo péssimo para os paraenses, correto? Nada que não pudesse piorar. Aos 46 o predestinado PIPICO fez o gol da virada e da vitória. O Macaé agora é oitavo e o Paysandu sexto.
CEARÁ 1 X 1 CRICIÚMA
CASTELÃO
PÚBLICO: 29378
O Vozão começou melhor, pressionando e tomando a iniciativa da partida, mas como o futebol é o que é, quem abriu o placar foi o Criciúma, com gol de Wanderson. Em seguida, Ricardinho conseguiu o empate para os donos da casa em bela cobrança de falta. No segundo tempo, o Ceará continuou correndo atrás do resultado, sempre abrindo espaço para os contra-ataques dos catarinenses, mas o placar manteve-se o mesmo. O Criciúma caiu para a décima terceira colocação enquanto o Ceará segue na vice-lanterna.
ATLÉTICO-GO 1 X 1 MOGI MIRIM
SERRA DOURADA
PÚBLICO: 486
Diante de um público que seria muito bom em uma competição de bocha, o Dragão começou vencendo com gol de Arthur. Mas eis que a magia do futebol falou mais alto e RIVALDO fez o de empate. Infelizmente foi o Júnior, já que o pai (e presidente), no alto dos seus 43 anos, foi poupado dessa partida. O Atlético é o décimo oitavo e o Mogi Mirim segue na lanterna.
BRAGANTINO 1 X 0 BOTAFOGO
NABI ABI CHEDID
PÚBLICO: 1356
Um Botafogo sem vontade e deitado em berço esplêndido foi presa quase fácil para o MASSA BRUTA, que conseguiu uma vitória depois de 3 derrotas seguidas. Em um jogo com arbitragem confusa, com direito a duas expulsões e pênalti inexistente marcado (e perdido pelo Braga), os donos da casa conseguiram a vitória pelos pés de Jocinei, após bela jogada individual. Os cariocas perderam a gordura antes adquirida na liderança e agora a divide com outras 3 equipes. O Glorioso leva vantagem no saldo de gols, porém está tendo provas suficientes de que camisa não ganha vaga na série A e de que vai ter que melhorar o futebol apresentado nas últimas rodadas. Já o time do interior paulista é agora nono.
AMÉRICA-MG 2 X 1 ABC
INDEPENDÊNCIA
“Caiu no Horto, tá morto”. Essa frase foi imortalizada pelo Galo mineiro na histórica campanha da Libertadores de 2013, mas nesta Série B o Coelho está fazendo valer como nunca essa expressão, acumulando vitórias dentro do Independência. O ABC até pensou que ia estragar o momento do América em casa, abrindo o placar após o gol do artilheiro Kayke. Porém a virada veio com gols de Richarlison e Thiago Santos. O Coelho já é vice-líder e o time de Natal se encontra em décimo.
PARANÁ 0 X 1 VITÓRIA
DURIVAL BRITTO
PÚBLICO: 8940
O Vitória foi o único visitante dessa rodada a conseguir uma vitória, diante do Paraná, que já acumula 4 rodadas sem vencer. O gol da vitória foi marcado por David, que saiu do banco para marcar em sua estreia pelo rubro-negro baiano. O Paraná se encontra na beira do Z4 e o Vitória na beira do G4.
SAMPAIO CORRÊA 3 X 0 BOA ESPORTE
CASTELÃO (MA)
O Sampaio chegou a segunda vitória seguida diante de um BOA que até fazia um confronto equilibrado, mas, depois de um pênalti (discutível) convertido por Douglas Oliveira, sucumbiu diante da superioridade dos donos da casa. O time maranhense ainda conseguiu ampliar o placar com gols de Nadson e PIMENTINHA, em uma bela finalização por cobertura. Os maranhenses se encontram na sétima colocação, já o BOA é décimo sétimo.
NÁUTICO 2 X 1 SANTA CRUZ
ARENA PERNAMBUCO
PÚBLICO: 12085
O clássico pernambucano foi recheado de emoção. O Timbu abriu o placar com Guilherme, porém sofreu o empate com pênalti cobrado por Anderson Aquino, que chegou ao oitavo gol na competição. Logo em seguida, Ronaldo Alves foi expulso por falta no mesmo Aquino. Cenário aparentemente tenebroso para o alvirrubro. Até que entrou em cena a estrela de Lisca, o treinador do Náutico, que retirou um atacante pra colocar um lateral… que fez o gol da vitória! Gil Mineiro acertou um petardo de fora da área e sacramentou a vitória do Náutico. Lisca ainda foi expulso antes do final da partida, e depois retornou ao gramado pra comemorar sem camisa com a torcida, fazendo jus ao seu apelido de LISCA DOIDO. Uma partida com todos os elementos para satisfazer os amantes do bom futebol. O Timbu é quarto e o Santinha é décimo segundo.
CRB 0 X 0 LUVERDENSE
REI PELÉ
CRB e Luverdense fizeram um jogo movimentado, mas a pressão sobre as duas equipes falou mais alto no momento das finalizações, resultando em um jogo sem gols. O CRB ficou muito perto da vitória em duas oportunidades, mas pecou no momento da decisão. O ponto alto foi a estreia do ex-sãopaulino e ex-Lusa, Cañete, pelo alvirrubro. Com o empate a equipe alagoana ocupa agora décima primeira colocação e o Luverdense décimo quinto.
BAHIA 1 X 0 OESTE
FONTE NOVA
PÚBLICO: 18187
Em um jogo muito movimentado, o BAHEA conseguiu mais uma vitória em seus domínios, com um golaço de Tiago Real. A equipe paulista, comandada pelo goleiro Jeferson, até fez páreo duro com o tricolor da boa terra, mas mesmo com belíssima atuação do seu guarda-redes não conseguiu segurar a pressão colocada pelos donos da casa. O Bahia é uma das 4 equipes com 24 pontos, ocupando a terceira posição, e o Oeste é agora o décimo quarto.
Pé de Chinelo
André Porto
A maior sorte de um chinelo tem tudo a ver com os pés, mas nada a ver com ser pisado por eles. Quem já foi o camisa 10 do seu time num fim de tarde do Maracanã da sua rua não pode ousar dizer que chinelos foram feitos para serem calçados. A verdadeira função de um par de havaianas é ser um golzinho. É a glória. Vão aos céus, sem sair do chão. Ninguém pode aceitar que ser pisoteado a vida toda é o sonho de alguém. Quando o Sol começa a querer sumir, se separam do seu par, mas o suficiente para não sentir muita saudade. Logo em frente, outro par de chinelos, geralmente desconhecido. Sabem telepaticamente que também estão vivendo a mesma euforia, apesar do estado temporário de rivais mortais. Somente um sairá dali como vencedor.
A correria começa, a bola rola, a molecada se inspira. Suor, gritaria, golaços, comemorações. Nem mesmo o par vencedor escapa das polêmicas acusações “não foi gol! se passou por cima do chinelo, foi na trave!” e “é lógico que foi gol, só porque tá perdendo vai começar a roubar!”. Entre mortos, feridos e pisoteados, os 4 saem de campo com a certeza de terem tido seus 10 minutos ou 2 gols de fama. Eram os arcos, os objetivos de vida, as razões de castigos por ter chegado muito tarde em casa. Quando se ouvia ao longe a voz da mãe chamando pra tomar banho ou os grandões de números maiores chegando, se resignavam e topavam até serem calçados novamente. Oportunidade não ia faltar. O próximo fim de tarde estava logo ali.
Hoje em dia, os tempos são outros. Passam mais tempo sendo colocados de lado, vida pé de chinelo. Mais sozinhos que chinelo de saci. Sem emoção, sem dramas, sem protagonismo. A maioria prefere jogar futebol com as mãos, ou com os dedos. O máximo é um prego na rua ou uma tira rebelde que se solta de repente. Ninguém dá mais bola pros chinelos.
O futebol é o esporte mais democrático do universo. Só pede um gol e uma bola. Ou um par de chinelos e uma pedrinha. Ou duas marcas no chão e uma fruta caída de uma árvore. Ou só imaginação mesmo. O suficiente para acender a emoção de se fazer um gol. Uma paixão que nem mesmo o melhor simulador consegue imitar. Aquela correria pra terminar o dever de casa pra poder correr de verdade por aí atrás de uma bola é única. Até aceito que podem acontecer algumas mudanças com o tempo. Não quero ser anti tecnologias e modernidades. É só um anseio pela volta do espírito de gritaria das esquinas que foi se calando com o tempo.
Não tem como deixar de pensar que a frieza, a chatice, a morosidade dos jogos que vemos hoje pela televisão – dentro das 4 linhas e principalmente nas arquibancadas – têm uma relação direta com isso. Se a emoção mais pura desse esporte era coisa comum em qualquer esquina, não pode ter morrido. Aquele ar lúdico e inspirador, os sonhos e a imaginação que sempre cercaram o futebol não podem ser esquecidas nunca. Pé no chão, só se for descalço.