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RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 5ª RODADA

Por Rafael Montenegro

 

Foram 26 gols nos dez jogos da rodada.

Teve clássico com duas viradas.

Teve vitória com golaço aos 47 do segundo.

Teve 2×0 com 5 minutos de jogo.

O Campeonato Brasileiro tá ficando bom!

QUARTA-FEIRA

VASCO 0X3 PONTE PRETA

SÃO JANUÁRIO – PÚBLICO: 2.499

Que fase do Vasco! Ainda sem vencer no campeonato, foi goleado em casa para a Macaca, que joga um futebol vistoso e eficiente. Se esse time da Ponte é um cavalo paraguaio, apenas o tempo dirá. Por enquanto, é um dos destaques do campeonato e ocupa a vice-liderança.  O Vasco, jogando um futebol ridículo, é o 18º.

ATLÉTICO–PR 1X0 FIGUEIRENSE

ARENA DA BAIXADA – PÚBLICO: 15.139

Depois de uma campanha pífia no estadual, o Furacão engrenou, segue 100% em casa e é o líder do campeonato brasileiro com 12 pontos (4 vitórias e uma derrota). Com gol de Nikão, aos 19 do primeiro tempo, o Atlético proporcionou ao Figueira sua terceira derrota na competição, mas o time segue fora da zona de rebaixamento.

CHAPECOENSE 2X0 JOINVILLE

ARENA CONDÁ – PÚBLICO: 6.179

No primeiro clássico catarinense do BR-15, a Chapecoense fez 2×0 com tranquilidade e manteve os 100% de aproveitamento em casa. No primeiro gol, 7 jogadores do JEC estavam dentro da área, mas ninguém conseguiu marcar Ananias. A derrota foi a quarta do Tricolor catarinense, que soma apenas um ponto e é o lanterna.

SÃO PAULO 3X2 SANTOS

MORUMBI – PÚBLICO: 13.847

O jogo da rodada teve um personagem central: Rogério Ceni. O M1TO, que vai jogar (pelo menos) até o fim de 2015, alternou bons momentos com falhas. Defendeu um pênalti mas soltou o rebote nos pés do atacante, falhou feio no segundo gol do Peixe e fez o gol da virada tricolor aos 39 do segundo. Destaque ainda para o belo gol de Michel Bastos, os dois gols de Ricardo Oliveira (que não marcava há 4 jogos) e para Juan Carlos Osorio, que assistiu o jogo de camarote e já comanda o time contra o Grêmio na próxima rodada.

GRÊMIO 3X1 CORINTHIANS

ARENA DO GRÊMIO – PÚBLICO: 20.231

O Grêmio não vinha atravessando uma boa fase, mas aproveitou que o Corinthians vive uma fase pior ainda e conquistou sua segunda vitória no campeonato. O primeiro gol saiu logo com um minuto de jogo. Aos 5 o Tricolor ampliava com um baita golaço de Marcelo Oliveira, levantando a bola com uma perna e batendo direto com a outra, no ângulo. Mendoza descontou para o Timão, mas Luan não teve dificuldades para deslocar Cássio e por números finais ainda no primeiro tempo.

CRUZEIRO 1X0 FLAMENGO

MINEIRÃO – PÚBLICO: 13.308

No começo da semana, a diretoria cruzeirense trocou o atual bi-campeão brasileiro Marcelo Oliveira por Vanderlei Luxemburgo. O “profexô” estreou contra seu ex-clube e viu o Cruzeiro ganhar a primeira no campeonato, com gol do zagueiro Manoel. A herança deixada por Luxa no Flamengo é o pior início de Brasileiro da história do Mengão – um mísero ponto em cinco rodadas. O técnico Cristóvão Borges vai ter muito trabalho – mas também terá o reforço de Paolo Guerrero após a Copa América.

AVAÍ 1X4 ATLÉTICO-MG

RESSACADA – PÚBLICO: 7.101

Ao contrário do rival celeste, o Galo vai muito bem no Campeonato Brasileiro. Pela segunda vez conquista uma vitória por 4×1, dessa vez fora de casa. O confronto começou como uma briga direta pelo G-4 – os dois times tinham 7 pontos -, mas o Atlético não encontrou dificuldades durante a partida. Destaque para o primeiro gol do atacante Lucas Pratto no BR 15 e para ostalentosos garotos Carlos e Rafael Carioca.

QUINTA

FLUMINENSE 2X0 CORITIBA

MARACANÃ – PÚBLICO: 28.041

O Flu recebeu o Coxa, que vive fase ruim. Com um bom público na tarde de feriado no Maraca, o Fluminense jogou com seu bizarro terceiro uniforme verde e azul e ganhou tranquilamente. Aos 30, após saída de bola errada, Fred tomou a bola e pôs Vinícius para finalizar com muita categoria: 1×0. O segundo saiu já no fim, com o baixinho Marcos Júnior finalizando, sozinho, de cabeça. O Flu é o 6º e o Coxa, o 17º

SPORT 1X0 GOIÁS

ILHA DO RETIRO – PÚBLICO: 12.285

O duelo era entre dois dos três invictos do campeonato. O Sport foi melhor o jogo todo, mas a a invencibilidade do Goiás só foi cair aos 47 do segundo tempo, quando Maikon Leite (sim, ele) acertou um lindo chute no ângulo (sim, o Maikon Leite) e deu a vitória para o Leão. O Sport é o vice-líder e o Goiás caiu para a oitava posição.

PALMEIRAS 1X1 INTERNACIONAL

ALIANZ PARQUE – PÚBLICO: 36.199

A torcida palmeirense tem dado um belo espetáculo enchendo o Palestra, mas o Versão ainda não venceu no BR 15 jogando em casa. Até saiu na frente, com gol de cabeça do zagueiro Victor Hugo – seu quinto gol na temporada. Aos 30 do segundo, porém, Rafael Moura fez um gol bem à sua cara: feio. O Inter foi pra São Paulo jogar por uma bola e conseguiu roubar um ponto do Palmeiras.

Em defesa do drible

neymar driblando

Vinicius Prado Januzzi

Já haviam se passado 42 minutos do segundo tempo. Decorridos 87 minutos do tempo regulamentar. Faltavam três minutos e uns quebrados para o fim da partida.  O placar: 3×1 para o Barcelona contra o Athletic Bilbao. A final da Copa do Rei, disputada no Camp Nou, estava decidida a essa altura, mas Neymar não se conteve. Estava à beira do seu campo de ataque, de frente para o zagueiro Bustinza, quando decidiu aplicar uma carretilha, uma lambreta em seu adversário. Foi interrompido com falta e o jogo parou por conta das reações dos jogadores do time basco.

Muitos o atacaram, alguns poucos o defenderam. Jogo nesse segundo time. Não sou nada habilidoso e com certeza me irritaria profundamente com o drible de Neymar. Ficaria enfurecido e dificilmente não tentaria pará-lo com falta. Outros tantos fariam o mesmo e nem precisam ser tão grossos ou peladeiros como eu. Neymar viu uma possível jogada, foi e driblou. Aplicou um chapéu em seu adversário. Lance lindo, genial, brilhante, de quem sabe e pode fazer. Estava no fim do jogo? A partida não ia tomar novos rumos? O título já não poderia sair das mãos barcelonesas? Sim para todas as questões. Que isso importa?

Luis Henrique, técnico do Barcelona, pediu desculpas pelo ocorrido, tentando justificá-lo com a afirmação de que isso é comum no Brasil e não na Espanha. Piqué aconselhou o garoto a se conter. Iraola, capitão do Athletic Bilbao e opôs furiosamente a atitude e disse que Neymar precisa aprender com seus companheiros de time certas coisas. Acabou ainda cometendo, espero, um deslize ao dizer que “eles são assim mesmo”. Eles quem mesmo?

Podemos argumentar que a jogada não objetivava o gol nem um passe ao adversário. A carretilha foi executada só para humilhar mesmo, para chutar, ou chapelar, cachorro morto. Alguns disseram que outros dribladores inesquecíveis como Garrincha, Ronaldinho Gaúcho e Marta sempre que driblaram em suas carreiras fizeram isso com o intuito claro de vencer as partidas. Na saúde ou na doença, nas derrotas ou nas vitórias, driblavam. Não só quando tudo fica mais fácil. É um argumento possível? Sim. É preciso considerá-lo? Parcialmente.

Neymar, de fato, faz mais jogadas de efeito, dribla mais, diverte-se mais quando as coisas estão liquidadas, quando os jogos estão decididos. Fica mais fácil? Com certeza. Agora, o zagueirão que dá chutão (bola pro mato que o jogo é de campeonato) ou o time que fica segurando a bola em movimento retilíneo uniforme são bem menos questionados. E entre essas três possibilidades, a de Neymar é ainda mais brilhante. Quem a executa, mostra habilidade, talento, leitura do jogo e capacidade de provocação. É uma vaidade, diria eu, que encanta a quem vê. “Vejam só o Messi, igualmente talentoso, mas sempre em direção ao gol e respeitoso”. Ótimo. É por isso que ambos são diferentemente brilhantes (claro que Messi é absoluto nessa e em qualquer comparação).

Não estou afirmando que o gol é um detalhe, longe disso, mas julgar uma jogada por sua objetividade em relação ao placar e ao rumo das redes é meio inoportuno. Em se considerando o contexto de nosso futebol, criticar o comportamento de Neymar em campo é uma afronta hiperbólica. Onde estão nossos craques, nossos times brilhantes, onde está nosso futebol, dona Lúcia? Pois bem, se está em algum lugar e é representado por alguém, é de Neymar que devemos falar, o atacante do Barcelona. Neymar das carretilhas, dos chapéus, das canetas, dos gols, das provocações. Como diria o vascaíno Drummond de Andrade: Vai, Neymar, ser dibrador nessa vida.

Roma x Lazio: o clássico que divide a capital italiana

totti

O derby della Capitale, como é conhecido esse clássico, na visão de muitos ex-jogadores e jornalista é a maior rivalidade da Italia. Apesar dos clubes de Roma não gostarem dos times do Norte, representados por Inter, Milan e Juventus. O ódio que existe entre eles é muito maior, pois existe uma questão ideológica que divide as torcidas. O clássico se tornou tão expressivo, que segundo a IFFHS (Federacao Internarnaional de Historica e Estatistica do Futebol) e outros meios de comunicação, foi eleito o segundo maior clássico do futebol mundial.

A Lazio foi fundada em 1900 por integrantes do exército italiano. Já a Roma surgiu como um projeto do Partido Nacional Fascista, o objetivo era levar o nome de Roma para o resto da Europa por meio do futebol e conseguir vencer os clubes do Norte. Três clubes se uniram para formar a Roma. A Lazio era para ser uma dessas equipes, mas por causa de um membro influente do exército italiano, torcedor fanático da Lazio, este nao foi incluído. Um fato curioso é que apesar da origem da Roma, o clube ao longo dos anos se tornou o clube do proletário e muito ligado com a esquerda romana, ao passo que a Lazio estava alinhada com a direita, defendendo por vezes o nazismo e reproduzindo discursos racistas.

A tensão do clássico é extrema e episódios de confusão foram constantes ao longo da historia. O principal caso foi em 1970, quando um torcedor da Lazio, Vincenzo Paparelli, foi morto apos ser atingido por um sinalizador. Foi o primeiro episódio de morte no futebol italiano. Todos os jogadores da Lazio compareceram ao enterro do torcedor e depois foi realizado um amistoso entre jogadores de Lazio e Roma para homenagear Paparelli. Apesar de todos os esforços, a torcidas continuam se odiando e a violência continua forte. Esse clássico é o maior da Itália.

O final da década de 90 e o início do segundo milênio foram períodos muito importantes para ambos os times. Roma e Lazio conseguiram montar times poderosos com jogadores como Cafu, Batistuta e Emerson de um lado e Nedved, Simeone, Stankovic, Veron, Mancini, Marcelos Salas e Nesta do outro. Cada clube conquistou um título italiano nesse período. Em meio a esses grandes jogos, a Lazio conseguiu aplicar, em 98, a maior goleada da sua história contra a Roma, ganhando por 4 a 1.

Depois de 84 anos de clássico, em 2013 Lazio e Roma protagonizaram a final da Copa da Itália. E o sorteio feito no inicio do torneio colocou como o estadio da final o Olimpico de Roma, a casa de ambas as equipes, como não poderia ser diferente. Foi a primeira final entre essas equipes na história e ocorreu em Roma, com o estadio dividido, a capital dividida e foi a Lazio quem copou o torneio. O jogo foi a 1 a 0 com gol de Senad Lulic, um dos maiores triunfos laziales.

Foram 172 jogos ao longo da história. A Roma possui 63 vitórias e a Lazio 49. O artilheiro do confronto é Dino da Costa e o jogador que mais disputou o classico foi o ídolo da Roma Francesco Totti, com 36 partidas.

El Loco

Demissão de Marcelo Oliveira: mais um erro de uma diretoria amadora

José Eduardo

O ano de 2015 parece não acabar para o Cruzeiro. E mal começou. Desde a saída de Alexandre Mattos da diretoria de futebol do clube, a gerência celeste parece tentar apagar todas as glórias dos anos anteriores.

O Cruzeiro é o atual bicampeão brasileiro, finalista da Copa do Brasil, participou das últimas três finais do campeonato mineiro e chegou às quartas-de-final na Libertadores nos últimos dois anos. Parece um currículo invejável para qualquer equipe. Mas os erros da diretoria em horas decisivas e o ano de 2015 fazem o torcedor perder a cabeça e as esperança.

Sem Mattos, o Cruzeiro não conseguiu manter um grupo competitivo. Desfez-se das principais estrelas do grupo, Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Lucas Silva, Dagoberto, Marcelo Moreno, Borges, Egídio, Nilton, e contratou pouco e mal. Damião, Gabriel Xavier, Willians e De Arrascaeta foram as principais novidades. O último foi incumbido de ser o craque do time. Mas, com apenas 20 anos e jogando fora de posição, não conseguiu produzir o que se espera dele. As más contratações foram, na verdade, desastrosas. A começar por Riascos, já mencionado pelo Subindo a Linha como a pior contratação da história do Cruzeiro. Depois, jogadores medianos que vieram para compor elenco e encareceram a folha salarial: Fabiano, Douglas Grolli, Henrique Dourado, Felipe Seymour, Mena e Pará. Paulo André, Fabrício e Joel são um caso a parte. Jogadores que mostraram ter qualidade e pareciam dar certo no Cruzeiro, mas falharam e ainda encareceram muito o time.

Para piorar, o clube perdeu o patrocínio com a BMG e não consegue substituto. E os erros dos anos anteriores continuam. Ingressos caros afastavam a torcida do estádio. As cotas de televisão continuam infinitamente menores que a dos rivais do eixo Rio-São Paulo, por pura falta de companheirismo com a diretoria atleticana

As vitórias na Libertadores à base de raça, que faltava no elenco anterior, escondiam o mal futebol e a gerência amadora. O Cruzeiro sucumbiria em breve.

25 de maio. Começava ali o inferno celeste. A mãe de Marcelo Oliveira falece e o treinador mal consegue treinar o time para a batalha contra o River Plate.

27 de maio. O Cruzeiro é humilhado em casa, para um público de mais de 54 mil pessoas, em um silêncio fúnebre de uma torcida acostumada a ver o time campeão.

31 de maio. O Cruzeiro perde para o Figueirense fora de casa e cai para a penúltima posição do campeonato.

Mas a constatação do amadorismo ainda estaria por vir. No dia 2 de junho, uma semana após a perda da mãe, Marcelo Oliveira, técnico bicampeão brasileiro, está demitido. O clube ainda há de arcar com a multa recisória do treinador.

O novo técnico deve ser Luxemburgo. Obsoleto desde 2003, com passagens vergonhosas por Real Madrid, Grêmio, Flamengo, Atlético-MG. O salário é alto e a competência mínima.

O Cruzeiro ainda não conta com diretor de futebol, continua sem um meia-armador, o craque está jogando fora de posição e agora está sem técnico. O clube continua sem patrocínio, com folha salarial cara, inclusive pagando multas e salários para ex-funcionários: Marcelo Oliveira e Riascos, por exemplo. A torcida não crê em recuperação, o estádio não tem alma e o dinheiro não chega. O fundo do poço parece não estar tão distante.

Vídeo: O gol espetacular de Messi em 16 dialetos diferentes

O canal do youtube iNJRHD fez uma seleção com 16 narrações marcantes, de vários lugares do mundo, do gol de placa (mais um) no último sábado, pela final da Copa del Rey, contra o Athletic de Bilbao.

A narração brazuca fica por conta de Rogério Vaughan, da ESPN, que esteve in loco

RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 4ª RODADA

Por Rafael Montenegro

Os dois clássicos da rodada foram movimentados.
Dos 10 jogos, apenas um teve menos que dois gols – e foi um bom jogo, apesar de 0x0.
O G-4 é composto por Atlético-PR, Sport, Ponte Preta e Goiás.
GOSTAMOS

SÁBADO

PONTE PRETA 3X1 CHAPECOENSE
MOISÉS LUCARELLI – PORTÕES FECHADOS

Depois de quatro rodadas, apenas três times continuam invictos e a Ponte é um deles. Mesmo sem torcida, o time conseguiu fazer um bom jogo e ganhar a segunda em casa. Depois de fazer 2×0, viu a Chapecoense ir pra cima, diminuir, buscar o empate e abrir espaços para o contra-ataque, aproveitado com muita categoria pelo grande jogador do campeonato até agora: Renato Cajá, 3 GOLAÇOS em quatro rodadas. GOSTAMOS

CORITIBA 1X2 AVAÍ
COUTO PEREIRA – PÚBLICO: 9.906

Na fria Curitiba, o Coxa perdeu a terceira partida no campeonato. Logo aos 44 segundos de jogo o Avaí abriu o placar com Anderson Lopes. Paulinho diminuiu com apenas 4 minutos do segundo tempo, mas Roberto, em lance onde os jogadores do Coxa reclamaram de toque de mão, fez o gol derradeiro aos 33.

JOINVILLE 1X2 ATLÉTICO-PR
ARENA JOINVILLE – PÚBLICO: 9.144

De volta à Arena Joinville, onde viu seus torcedores entrarem em batalha campal contra vascaínos em 2013, o Furacão somou seus primeiros pontos fora de casa. Os gols foram de Nikão e Douglas Coutinho, ainda no primeiro tempo – o gol do Joinville foi de Rafael Costa. O JEC perdeu uma invencibilidade de 26 jogos em casa e amarga a lanterna do Campeonato Brasileiro.

DOMINGO

SANTOS 2X2 SPORT
VILA BELMIRO – PÚBLICO: 13.481

O Santos segue sem convencer depois do título paulista e o Leão segue sem perder. O (não tão) jovem menino Róbson fez o primeiro pro Peixe, que ficou duas vezes à frente no placar. O Sport chegou ao segundo gol de empate com Samuel Xavier aos 47 do segundo tempo, roubando um ponto importante na Vila.

GOIÁS 1X1 GRÊMIO
SERRA DOURADA – PÚBLICO: 3.859

O Goiás segue invicto e o Grêmio segue sem fazer grandes jogos. Destaque para a estreia de Roger Moreira como técnico do Tricolor no jogo com mais cara de Jogo Bosta da Rodada – com o Público Bosta da Rodada.

INTERNACIONAL 0X0 SÃO PAULO
BEIRA-RIO – PÚBLICO: 30.082

Com um árbitro gaúcho e bandeirinhas paulistas (!) Inter e São Paulo proporcionaram duas peculiaridades: um 0x0 movimentado e uma boa partida do Anderson. O São Paulo, à espera de Osorio, não caprichou na finalização contra o time misto do Colorado. Destaque para a defesa a la 2005 de Rogério numa cobrança de falta perfeita de Alex, aos 47 do segundo.

ATLÉTICO 3X0 VASCO
INDEPENDÊNCIA – PÚBLICO: 17.958

Tinha vascaíno reclamando que o time só tinha empatado no campeonato. Agora perdeu – de lavada – e segue sem vencer. Todos os gols saíram no primeiro tempo de uma partida que foi muito tranquila para o Atlético. O Galo – que já tinha posto 4×1 no Fluminense – vai galgando o posto de grande carrasco dos cariocas. Destaque para Thiago Ribeiro, autor de dois gols.

CORINTHIANS 0X2 PALMEIRAS
ARENA CORINTHIANS – PÚBLICO: 29.869

O Corinthians perdeu o Paulista, a Libertadores, Guerrero e agora perdeu, num só jogo, a invencibilidade no Brasileiro e o primeiro clássico da Arena (que já já vai virar a casa Alviverde). O Palmeiras, com belos gols de Rafael Marques e Zé Roberto, quebrou um tabu de quatro anos sem ganhar do Timão. Os dois gols saíram ainda na primeira etapa e contaram com a participação de Jorgito Valdívia. Destaque para o drone com a camisa do Guaraní paraguaio. GOSTAMOS

FIGUEIRENSE 2X1 CRUZEIRO
ORLANDO SCARPELLI – PÚBLICO: 6.211

Que fase do Cruzeiro! O bi-campeão foi eliminado de maneira acachapante na Libertadores no meio de semana e segue sem vencer no Brasileirão, somando um mísero ponto em quatro rodadas. O Figueirense venceu com gols de Marquinhos e Carlos Alberto (ele mesmo, campeão mundial pelo Porto em 2004, como pode ser conferido na tatuagem em suas costas), que não marcava um gol há 722 dias.

FLAMENGO 2X3 FLUMINENSE
MARACANÃ – PÚBLICO: 25.289

O Grande Jogo da Rodada! Infelizmente, quem proporcionou toda essa emoção ao jogo foi Sandro Meira Ricci, que inventou um pênalti aos 6 do primeiro tempo e uma expulsão aos 6 do segundo. Fredão da massa fez dois gols, ultrapassou a lenda viva Paulo Bayer e é o maior artilheiro do Brasileirão na época dos pontos corridos. O Flamengo, que estreou o técnico Cristóvão Borges, segue com uma campanha pífia: em quatro jogos, três derrotas e nove gols sofridos.

A hora e a vez do Galo

Pedro Abelin

O Clube Atlético Mineiro voltou a ser temido nas últimas duas temporadas. Depois de longos anos de muito sofrimento da massa atleticana, o Galo teve em 2013 um ano de virada na sua trajetória recente ao vencer pela primeira vez a Copa Libertadores da América. O título veio de maneira épica, a reboque de viradas espetaculares e muito drama. Que atleticano não lembra da  monumental defesa de pênalti de Victor contra o Tijuana ou do Gol de Leonardo Silva nos instantes finais da decisão do torneio? Essa jornada fez o torcedor atleticano gozar de uma euforia não sentida há muito tempo.

Em 2014, o roteiro não poderia ser diferente. O Atlético conquistou a também inédita Copa do Brasil, e o título foi marcado por diversos momentos emblemáticos, como as duas inacreditáveis viradas contra Corinthians e Flamengo, honrando mais do que nunca a alcunha atleticana de “Galo forte e vingador”. Mas acima de tudo, a conquista foi confirmada em duas incontestáveis vitórias na final contra o arquirrival Cruzeiro, e consagrou uma campanha de superação e reviravoltas, que estabeleceu de vez o Galo como protagonista do futebol nacional.

A ressurreição atleticana pode ser creditada a diversos elementos. Entre os principais, está o fator econômico: as últimas gestões do clube se pautaram pelo gasto excessivo na compra de jogadores. Muitas contratações não deram certo, mas é inegável que o Atlético passou a ser um clube mais gastador, que possibilitou a construção de elencos mais caros e qualificados – essa gestão pouco austera, contudo, deverá trazer problemas graves para o clube nos próximos anos, pois a equipe de Belo Horizonte tem hoje uma das maiores dívidas financeiras entre os clubes brasileiros. Mas o maior trunfo recente do Atlético é o Estádio Independência e a relação com sua torcida. O time criou  uma sinergia com seus torcedores que transformou o estádio no verdadeiro caldeirão, que propicia um ambiente extremamente hostil para os times visitantes e faz com que o Galo seja um dos mandantes mais temidos do Brasil. ( “caiu no Horto, tá morto!”)

Apesar do sucesso recente e dos títulos conquistados, ainda falta ao Galo voltar a vencer o Campeonato Brasileiro, troféu que o clube não leva desde 1971. Mas o torcedor atleticano têm vários motivos para acreditar que esse ano o jejum pode terminar. O Galo manteve a base vencedora do último ano e agora conta com o ótimo atacante argentino Lucas Pratto, melhor contratação do futebol brasileiro na temporada e que faz os atleticanos não sentirem falta de Tardelli. Além disso, o técnico Levir Culpi surpreendeu positivamente no seu retorno ao futebol brasileiro, ao apresentar uma equipe que pratica um futebol de alta velocidade e intensidade, que pressiona a saída de bola adversária, lembrando em alguns momentos o time treinado por Cuca. Porém, o maior indício da reinvenção de Levir é aquele que pode ser considerada uma das grandes contribuições do Galo ao futebol brasileiro: o fim das concentrações. Atitude altamente corajosa, progressista e que humaniza o vestiário, o fim da concentração deu certo no Galo e pode servir de exemplo para aqueles que acreditam que o ambiente do futebol deva ser dominado pelo autoritarismo, e que jogadores não podem usar boné e chinelo (alô Dunga!).

Além disso, vale lembrar que os outros favoritos ao título estão em momentos de indefinição. O Corinthians, outrora melhor equipe do Brasil, vive iminência de um desmanche. O Internacional, equipe de maior sucesso nesse primeiro semestre, está na semi-final da Libertadores e deverá ter dificuldades para conciliar o Brasileiro com a competição sul-americana. A maioria das outras equipes com potencial de disputar o título brasileiro passa por situação de reformulação, como São Paulo e Cruzeiro. Sendo assim, o Atlético goza do privilégio de ter uma equipe mais construída e entrosada do que as outras no futebol nacional, fator que pode ser decisivo para as pretensões do time na temporada. Em um período de incertezas no futebol brasileiro, o torcedor atleticano pode ter a certeza de que o Galo tem condições de alcançar o tão sonhado bi campeonato nacional. E com o caldeirão do Horto, esse sonho pode ficar mais próximo.