Brasileirão Série A – Palpites e destaques

Por Pedro Abelin

Foi encerrado mais um turno de Campeonato Brasileiro. Mesmo que seja uma fase simbólica da competição, este momento costuma ser considerado divisor de águas para os analistas. A partir de agora, todos sabem – ou deveriam saber – com clareza quais os times que brigarão por título, G4 e para fugir do rebaixamento.  Baseado nisso, resolvi entrar na onda dos palpites e destaques do Brasileirão.

E você, qual o seu palpite?!

Que comece a polêmica!

SELEÇÃO DO 1º TURNO DO CAMPEONATO :

Danilo Fernandes (Sport), Fagner (Corinthians), Gil (Corinthians), Jemerson (Atlético MG), Douglas Santos (Atlético MG), Rafael Carioca (Atlético MG), Elias (Corinthians), Renato Augusto (Corinthians), Luan (Grêmio), Lucas Pratto (Atlético MG) e Alexandre Pato (São Paulo).

Melhor treinador: Roger (Grêmio)

Revelação: Luan (Grêmio)

Melhor jogador: Renato Augusto (Corinthians)

Melhor jogo: Atlético MG 3 x 1 São Paulo.

Gol mais bonito: Renato Cajá. Ponte Preta 3 x 1 Chapecoense.

PALPITES PARA O FINAL DO CAMPEONATO

Título: Atlético MG

G4: Atlético MG, Corinthians, Grêmio e Palmeiras.

Z4: Avaí, Coritiba, Vasco e Joinville.

Apita o árbitro e começa o jogo

Por Vinicius Prado Januzzi

Não é de hoje que a arbitragem no Brasil é questionada.

Em todos os campeonatos, em todas as fórmulas possíveis, em todos os anos desde que nos conhecemos como torcedores e torcedoras, jogos foram roubados, expulsões foram duvidosas, impedimentos foram ou não foram dados, faltas foram ou não forma marcadas, campeonatos foram comprados. Isso ocorreu? Sim.

Escândalos como a Máfia do Apito (2005) parecem ser a regra implícita de nosso futebol. A todos nós, basta só ir mais fundo em investigações e muitas falcatruas serão descobertas. Não importa que nada tenha sido posto a limpo ou mesmo provado. “Tem algo aí”.

Por ser corinthiano, talvez minha opinião já seja posta em dúvida de antemão. O Corinthians, seja verdadeiro ou não o que se diz, é conhecido como um dos times historicamente mais beneficiados no país. Não fossem os juízes, estaria torcendo em arquibancadas de alvenaria em algum estádio interiorano, no máximo em um campeonato regional de terceira divisão.

O problema da arbitragem no país, no entanto, está longe de ser uma questão de grandes conspirações e favorecimentos a determinado clube. Que o Corinthians tenha sido beneficiado em muitos jogos ao longo de sua história, dificilmente posso dizer que não, ainda que não possa trazer nada que comprove esse grande esquema. O mesmo em relação aos outros clubes brasileiros e sulamericanos.

Por esse e muitos outros motivos, não adianta comparar lances e mais lances, fazer colagens em cima de colagens com exemplos de jogos recentes ou do início da história, comparar aquele ou esse impedimento quando não se leva em conta como funciona a arbitragem no Brasil. Por funcionamento, falo de formação, de salários e de progresso na carreira. Ambos estão conectados e no modo como se conjugam no país nos permite entendem um pouco mais do quadro caótico do que é ser juiz/a brasileiro/a de futebol.

Você já parou para se questionar como é que se forma um árbitro no Brasil? Quanto recebe, em média, uma apitadora? Quanto tempo é necessário para que juízes apitem jogos de alto nível ou mesmo sejam escalados para apitar Copas do Mundo ou outras competições internacionais? No geral, essas não são perguntas que fazemos, embora suas respostas, a meu ver, impactem diretamente no pênalti não marcado para o São Paulo contra o Corinthians no Campeonato Brasileiro desse ano (09/08/2015) e no gol validado do Chapecoense contra o Atlético Mineiro (16/08/2015)

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No Brasil, a profissão de árbitro de futebol é regulamentada desde 2013, após a promulgação da lei 12.867/2013. No dia a dia, nada muda. O juiz que você vê na TV todo domingo continua como um prestador de serviços à Confederação Brasileira de Futebol. Ao apitar o Brasileirão ou a Libertadores, por exemplo, o juiz é cedido pela Federação Estadual/Distrital à qual está vinculado. Quem o contrata, portanto, é a Federação. Daí deduzimos que ela paga aos árbitros os direitos trabalhistas previstos na legislação e que estipula rendimentos fixos, complementados por honorários por jogos apitados. Errado.

Juízes recebem tão só e unicamente por jogo que apitam. Quanto mais avança na carreira, mais avança na média de ganhos por partida. Uma vez no topo dessa jornada e se chegar até esse Olimpo, vai arcar com as despesas relativas à formação, à nutrição, ao preparo físico e muitas vezes de locomoção e hospedagem. Um árbitro FIFA que apita um jogo de série A ganha 3.500 reais por partida. Parece muito, mas não é.

Se levarmos em conta os rendimentos relacionados ao futebol, o valor logo fica desproporcionalmente pequeno. Os árbitros FIFA são, ainda, uma minoria irrisória no país. Comparar seus ganhos aos do grande parte dos outros juízes é o mesmo que comparar o salário do atacante sãopaulino Pato com o que ganha Waguininho, do Oeste de Itápolis. Árbitros recebem pouco em relação ao futebol como um todo e a própria distribuição de rendimentos na categoria é desigual, muito desigual. Se comparado o Brasil a outras ligas nacionais, a coisa fica ainda mais complicada (http://espn.uol.com.br/noticia/535901_brasileiro-tem-o-pior-salario-entre-juizes-das-grandes-ligas-do-mundo-compare).

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Considerados todos esses problemas, entre muitos outros que poderiam ser apontados – a questão do rodízio dos árbitros e a quase exclusiva presença de homens entre os juízes profissionais, por exemplo -, não fica difícil afirmar que a má qualidade da arbitragem no Brasil está longe de ser uma questão de competência individual ou de uma orquestração muito safada construída em reunião secreta realizada no CT Joaquim Grava, com a presença do senhor José Maria Marin, do ilustre Ronal Rhovald e do anfitrião Roberto de Andrade.

Mais do que suspostos juízes desonestos e dirigentes corruptos, com certeza presentes no universo futebolístico, o que temos em campo são juízes mal preparados, mal pagos e mal formados. Os erros que cometem com seu time, portanto, não têm o carinbo alvinegro, tricolor ou rubronegro. Têm o carimbo da CBF, a mesma das camisetas de domingo último.

Para saber mais:

http://espn.uol.com.br/post/535822_cbf-nao-tem-arbitros-para-o-brasileirao

http://esporte.ig.com.br/futebol/2014-10-10/com-minoria-privilegiada-arbitros-dizem-que-salario-baixo-prejudica-desempenho.html

http://espn.uol.com.br/noticia/535901_brasileiro-tem-o-pior-salario-entre-juizes-das-grandes-ligas-do-mundo-compare

http://blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br/2010/10/quanto-ganha-um-arbitro-no-brasileirao/

RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO – 18ª RODADA

O primeiro turno está prestes a acabar. Na parte de cima, mudanças na liderança e no G4. Lá em baixo, mudança na lanterna.

A rodada teve 27 gols e dois jogos generosos em redes balançando: Corinthians 4×3 Sport e Flamengo 3×2 Atlético-PR.

O Timão roubou a liderança graças ao tropeço do Galo contra o Grêmio, 3º. O São Paulo subiu quatro posições e fecha o G4.

Internacional e Coritiba voltaram a vencer. O Vasco voltou a ser o último…

CORITIBA 2 X 1 PALMEIRAS
COUTO PEREIRA
PÚBLICO: 15.721

O Coritiba conseguiu largar a lanterna da competição e o Palmeiras, jogando muito mal, perdeu a terceira partida seguida. Aos 17, após contra-ataque rápido e eficiente, Evandro cruzou e Henrique ajeitar a passada e bater de primeira da meia lua e abrir o placar. Com 38 segundos do segundo tempo, Dudu cruzou da esquerda e Rafael Marques, com muita categoria. Mas aos 36 Esquerdinha achou lindo passe para Henrique marcar seu segundo gol e consagrar a terceira vitória do Coxa na competição. Agora o Coritiba é o 19º colocado e enfrenta o Vasco no jogo dos desesperados que fecha o primeiro turno. Já o Palmeiras, que caiu para 8º, recebe o Flamengo.

FLAMENGO 3 X 2 ATLÉTICO-PR
MARACANÃ
PÚBLICO: 20.881

Na estreia de Ederson, o Mengão superou a ausência do suspenso Guerrero e conseguiu bater o adversário rubro-negro em jogo de cinco gols. Após cobrança de escanteio, Wallace empurrou para abrir o placar. Após cruzamento na área, Hernani empatou. Aí Emerson Sheik foi lançado e bateu bem de canhota para retomar a vantagem para o Fla. Ainda no primeiro tempo, Alan Patrick cobrou falta com perfeição e fez um golaço. Na segunda etapa, mais uma vez em jogada de bola aérea, Kadu fez o segundo do Furacão, mas o Flamengo, superior na partida, conseguiu dominar o jogo e assegurar a vitória. Agora o Fla é o 12º e visita o Palmeiras enquanto o Atlético, 7º, recebe o Santos.

SANTOS 1 X 0 VASCO DA GAMA
VILA BELMIRO
PÚBLICO: 12.038

Contra o agonizante lanterna Vasco da Gama, o Santos dominou o jogo, mas não conseguiu ser amplamente superior. O gol foi do lateral-direito Victor Ferraz, em uma belíssima cobrança de falta. O Peixe conquistou 10 dos últimos 12 pontos e se reergueu no campeonato – está em 13º. O Vasco dispensa comentários: apenas oito gols marcados e a última posição do campeonato. Agora o Santos visita o Atlético-PR e o Vasco recebe o Coritiba.

GOIÁS 0 X 0 CHAPECOENSE
SERRA DOURADA
PÚBLICO: 1.619

O Jogo Bosta da Rodada foi entre o time que não ganha há seis jogos e o que empatou os três últimos. Para o pior público da rodada, o duelo verde foi o pior jogo. O Goiás amarga a zona de rebaixamento, em 18º. A Chapecoense está em 9ª. Na próxima rodada o Goiás visita o São Paulo no Morumbi enquanto a Chapecoense recebe o Atlético-MG.

INTERNACIONAL 1 X 0 FLUMINENSE
BEIRA-RIO
PÚBLICO: 11.415

Depois de sofrer uma sonora goleada no Grenal, o Inter aproveitou a atuação pífia do Fluminense para voltar a vencer. O Colorado jogava com um a mais quando começou a fazer pressão. O gol de Vitinho ilustra a aura atrapalhada que envolta as duas equipes: Diego Cavalieri em jogada ofensiva de Rafael Moura, o atacante colorado chutou pra fora, mas a bola bateu no goleiro Tricolor e entrou. O Inter voltou a vencer depois de três jogos. Agora o Colorado é o 11º, enquanto o Flu saiu do G4 e ocupa a 5ª posição. Na próxima rodada o Inter visita o Cruzeiro enquanto o Flu recebe o Figueirense.

FIGUEIRENSE 0 X 2 SÃO PAULO
ORLANDO SCARPELLI
PÚBLICO: 10.301

Depois de dois jogos jogando bem mas sem vencer adversários da parte de cima da tabela, o São Paulo venceu e convenceu. E foi o grande vencedor da rodada: com derrotas de Sport, Furacão, Flu e Palmeiras o Tricolor subiu quatro posições e chegou ao G4. A vitória foi construída com gols de Alexandre Pato, em bela finalização, e de Rogério Ceni (o 130º, de pênalti). Agora o Tricolor, 5º colocado, fecha o turno jogando contra o Goiás, no Morumbi. Já o Figueirense, 15º, visita o Fluminense.

CORINTHIANS 4 X 3 SPORT
ARENA CORINTHIANS
PÚBLICO: 30.941

O que é mais raro: o Corinthians fazer 4 gols ou tomar 3? Em jogo emocionante, o Timão bateu o Sport – que não consegue vencer fora de casa – e assumiu a liderança. Luciano abriu o placar no primeiro tempo, mas logo depois André empatou. Ainda no primeiro tempo, Luciano fez mais um e deu a vantagem ao Timão. No segundo tempo, em jogada perigosa com Malcon, Samuel Xavier marcou contra e fez 3×1 Corinthians. Mas em duas falhas de marcação, Hernane marcou duas vezes e empatou para o Leão. Mas aos 40 do segundo tempo, o árbitro paulista Luiz Flávio de Oliveira marcou pênalti para o Corinthians, que Jadson converteu em gol. Agora o líder visita o Avaí enquanto o Sport, 6º, recebe a Ponte.

PONTE PRETA 2 X 0 AVAÍ
MOISÉS LUCARELLI
PÚBLICO: 7.667

A Macaca chegou à segunda vitória em dois jogos sob o comando do técnico Doriva. Depois de perder um pênalti, o eterno Borges marcou de cabeça após cruzamento da esquerda. Aos 27 do segundo tempo, Felipe Azevedo acertou um belo chute de longe e fechou o placar. A Ponte Preta agora é a 10ª colocada e visita o Sport na próxima rodada. Já o Avaí está na beira da zona de rebaixamento, em 16º, e recebe o Corinthians

ATLÉTICO 0 X 2 GRÊMIO
MINEIRÃO
PÚBLICO: 49.047

Ao Galo bastava o empate no Mineirão lotado para retomar a liderança. Só faltou comentar com o embalado e eficiente Grêmio do Roger Moreira. Em dois ataques – um construído em 11 passes, o outro em 13 – o Grêmio fez 2×0 e conseguiu uma maiúscula e merecida vitória. Os atleticanos reclamaram pênalti quando o jogo estava 0x0. O resultado aproxima as duas equipes – o Galo agora é o vice-líder e o Grêmio é o terceiro. Na próxima rodada o Atlético visita a Chapecoense enquanto o Grêmio recebe o Joinville.

JOINVILLE 3 X 0 CRUZEIRO
ARENA JOINVILLE
PÚBLICO: 10.496

O que ilustra melhor a instabilidade do Cruzeiro do que perder de 3×0 para o time que esteve todo o primeiro turno no Z4 e tinha o segundo pior ataque do campeonato? A vitória do JEC – 4ª no campeonato – foi o melhor jogo do time no campeonato. E bem capaz que esse tenha sido o pior jogo do Cruzeiro. Os gols foram de Marcelinho Paraíba, numa linda cobrança de falta, de Bruno Aguiar e Trípodi, ambos em cabeçadas após cruzamentos da esquerda. Agora o Joinville é o primeiro da zona de rebaixamento – 17º – enquanto o bi-campeão brasileiro é apenas o 14º. Na próxima rodada o JEC visita o Grêmio e o Cruzeiro recebe o Inter.

Mais uma chance, mais uma tragédia

José Eduardo

2004, campeão brasileiro com o Santos. Este foi o último título de expressão de Vanderlei Luxemburgo. E mesmo assim, 11 anos depois, é só um time grande do Brasil demitir seu treinador que o nome do Pofexô é ventilado. Foi assim com Santos (2006, 2009), Palmeiras (2008), Atlético-MG (2010), Flamengo (2010, 2014), Grêmio (2012), Fluminense (2013) e agora, Cruzeiro.

11 anos, nenhuma Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil, Mundial. Apenas 5 estaduais e péssimas passagens pelas equipes.

Seguindo o lema “Eu venci, nós empatamos, eles perderam”, Luxemburgo plantou discórdia nos clubes por onde passou e colheu péssimos resultados. Vale lembrar a passagem desastrosa pelo Real Madrid, onde o ponto forte foram suas entrevistas em péssimo – e cômico – portunhol.

Seu trabalho se destaca por uma boa arrancada quando assume os times em que passa, algumas partidas irregulares e a derrocada.

Em seus trabalhos mais recentes, foi demitido do Galo, em 2010, deixando o clube na zona de rebaixamento após goleada sofrida contra o Fluminense por 5 x 1.

No Flamengo, em suas últimas duas passagens, conseguiu um carioca e salvar o time do rebaixamento, mas nenhum campeonato de destaque, mesmo treinando seu clube do coração e em sua zona de conforto.

Em 2013, no Grêmio, o Pofexô se envolveu em confusão contra o Huachipato, do Chile, e foi suspenso por 6 partidas. Foi eliminado, nas oitavas, pelo Santa Fé, da Colômbia, ainda durante sua suspensão e, por isso e por ter perdido o Gaúcho para o maior rival, foi demitido.

Ainda em 2013, Luxemburgo assumiu o atual campeão brasileiro, Fluminense e admitiu que salvar o tricolor do rebaixamento seria uma conquista. Saiu do comando com 7 vitórias em 26 jogos e uma sequência final de 9 jogos sem triunfos.

A situação em 2015 é idêntica. Assumiu o atual (bi)campeão brasileiro, Cruzeiro, e já chegou com moral. 3 vitórias seguidas, inclusive vencendo o Atlético-MG, no Independência, quebrando dois longos tabus, de vitórias (11 jogos) e de vitórias na casa do rival, fato que não aconteceu desde a reinauguração do estádio.

Mas a face de Luxemburgo começou a cair imediatamente. 3 derrotas seguidas. E então, começa a derrocada do ultrapassado treinador.

Sem nenhuma criatividade e renovação, Luxemburgo imediatamente mudou o esquema tático celeste. Tirou o 4-2-3-1 consagrado no bicampeonato e foi à zona de conforto 4-3-1-2, tática que deu a Tríplice Coroa ao Cruzeiro em 2003. A diferença são apenas 11 anos de atraso da tática. E jogadores com características completamente diferentes.

A partir de então, o Cruzeiro assumiu o DNA Luxemburgo: derrotas em jogos facílimos, vitórias em jogos difíceis que ajudam a mascarar o mau trabalho e a enaltecer a figura do técnico, a figura do “EU VENCI”.

Hoje, o bicampeão brasileiro encontra-se na 14º colocação, 3 acima da zona de rebaixamento. O discurso de “tentaremos o tri” já mudou para “o foco é a Copa do Brasil”, como se o Brasileiro fosse luxo.

Luxo mesmo seria poder vencer algum time catarinense. Sob o comando de Luxa, o Cruzeiro perdeu em casa para a Chapecoense, empatou, em casa, com o Avaí e conseguiu ser goleado pelo Joinville.

Fato é, Luxemburgo é um bom motivador. Consegue vitórias em jogos importantes. Mas está ultrapassado. Acumula derrotas em jogos ridiculamente fáceis. Cria rachas nos times por onde passa, tem salário altíssimo e, incrivelmente, possui respeito por todos os dirigentes do Brasil. Por quê? Este texto deixa bem claro que não é pelo retrospecto recente.

*Em negrito, o destaque: REBAIXAMENTO, a tônica dos trabalhos de Luxemburgo

RESUMÃO SUBINDO A LINHA: CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE B – 18º RODADA

Por José Guilherme

 

Sem mudanças nos integrantes do G4 nem no Z4; os times apenas trocaram de posições. Belos gols, lances polêmicos e curiosos.

Vamos aos jogos.

 

BAHIA 1 X 1 NÁUTICO

FONTE NOVA – 23.187 TORCEDORES

As duas equipes fizeram o duelo de G4 da rodada. O Bahia buscava continuar a boa campanha em casa e de quebra parar um adversário direto. Mas, apesar da pressão dos donos da casa, foi o Timbu quem abriu o placar com gol de Patrick Vieira. O Bahia partiu em busca do empate e conseguiu com um golaço de Vìtor, que acertou um petardo cruzado no ângulo. Depois da pintura, o Tricolor não conseguiu a virada e o jogo terminou em um empate ruim para ambos na briga no topo da tabela. O Bahia caiu para quarto e o Náutico permanece em sexto.

 

CRICIÚMA 1X0 PAYSANDU

HERIBERTO HULSE – 5.215 TORCEDORES

Em um dos jogos mais emocionantes da noite, o Papão queria a vitória para evitar a queda na livre e até começou bem, mas Neto Baiano perdeu a grande chance de marcar em um pênalti agilmente defendido por Luiz. A sorte realmente estava do lado do Tigre. Em escanteio cobrado muito baixo, Everaldo, do Paysandu, emendou um peixinho rente ao chão, contra a própria meta, dando a vitória ao Criciúma. O resultado deixou o Tigre em nono, colado com o Papão – que agora é oitavo.

 

SAMPAIO CORRÊA 1 X 0 CRB

CASTELÃO-SÃO LUIS –

Em seu melhor momento, o Sampaio segue sua escalada na competição. A vítima da vez foi o CRB, que até fez um jogo duro, mas o golaço de Nadson em chute de fora da área garantiu os três pontos para os maranhenses. O Sampaio já está a um ponto do G4, em quinto. O CRB permaneceu em décimo terceiro.

 

SANTA CRUZ 2 X 1 MOGI MIRIM

ARRUDA- 13.660 TORCEDORES

O Mogi deu sinais de reação da série B após a estreia do presidente/jogador Rivaldo, mas já amargava três rodadas sem vencer. E foi com o espírito de retomar o bom momento que a equipe entrou em campo e conseguie surpreender o Santa ao abrir o placar com Geovane. O Santinha, porém, reagiu e chegou à virada com Anderson Aquino (de pênalti) e com o experientíssimo Grafite, mostrando estrela ao marcar seu segundo gol em dois jogos desde seu retorno ao Arruda. Os pernambucanos estão a três pontos do G4, em sétimo. Com a derrota o Mogi caiu para a vice-lanterna.

 

CEARÁ 0 X 2 AMÉRICA-MG

CASTELÃO – 11.594 TORCEDORES

E fez-se a lógica. O América vem na famosa “crescente” que os jogadores costumam citar, enquanto o Ceará é praticamente o dono da lanterna da série B, tamanha a sequência de rodadas nessa situação. Com tudo isso, fica fácil entender o resultado dessa partida. O América passeou em pleno Castelão construiu a vitória com certa tranquilidade, com gols de Marcelo Toscano e do experiente Mancini. O Coelho chegou à vice liderança e o Vozão segue em último e já vê a Série C no horizonte.

 

OESTE 0 X 0 ATLETICO-GO

JOSÉ LIBERATTI – 1175 TORCEDORES

Apesar de vir de cinco vitórias seguidas em casa, o Oeste demorou a se ligar na partida e acabou pecando pela falta de iniciativa. Diante de um Atlético mais interessado em aumentar a sequência sem derrotas do que propriamente buscar o jogo, nenhuma das equipes mostrou muito futebol para merecer que o zero saísse do placar. Com o empate, o Rubrão permanece em décimo primeiro e o Dragão em décimo quarto.

 

LUVERDENSE 0 X 2 VITÓRIA

ARENA PANTANAL – 2.323 TORCEDORES

 

A Arena Pantanal recebeu pela primeira vez um jogo do time do estado, mas os ares não fizeram muito bem ao Verdão do Norte. Sem quase nenhuma criatividade o time sucumbiu diante do Vitória, que também não demonstrou um belo futebol mas foi muito  eficiente. Os dois gols saíram quase que em sequência no final do jogo, com Vander e Diego Renan – este num contra ataque fulminante que finalizou a partida. O Vitória é líder. Já o Luverdense é apenas décimo sexto.

 

BOTAFOGO 3 X 1 ABC

ESTÁDIO NILTON SANTOS – 6.435 TORCEDORES

A ordem era clara: vencer ou vencer. O Botafogo foi a campo pressionado pela necessidade de conquistar os três pontos e não se ver distante dos líderes. Apesar disso, quem abriu o placar foi o ABC, com Edno em contra-ataque rápido. Depois disso o Fogão se ligou e chegou ao empate com um gol de Navarro, que misturou técnica, sorte e oportunismo ao encobrir o goleiro de cabeça da entrada da área. Neilton e Navarro mais uma vez, ambos com assistências açucaradas de Daniel Carvalho, fecharam o placar. O Botafogo foi para terceiro, o ABC segue despencando e é décimo oitavo.

 

BRAGANTINO 2 X 1 PARANÁ

NABI ABI CHEDID – 595 TORCEDORES

Diante de um público pífio, o Bragantino se impôs desde o início da partida, buscando a vitória. E o Massa Bruta conseguiu concretizar sua superioridade com gols, marcando com Everton Dias na primeira etapa, e após belo contra-golpe Thiago Santos ampliou para os donos da casa. O placar pareceu ter despertado o Paraná, que diminuiu com Paulo Henrique e seguiu pressionando e criou algumas oportunidades no final da partida, porém o Braga soube segurar a pressão e garantiu a vitória. O Bragantino é décimo e o Paraná décimo quinto.

 

BOA ESPORTE 2 X 1 MACAÉ

MELÃO – 509 TORCEDORES

O jogo se encaminhava para o empate sem gols, apesar de movimentado e com chances criadas. Porém, no meio do segundo tempo CHAPINHA entrou para mudar o panorama da partida. O meia, que vem sofrendo com lesões desde o início do campeonato, marcou poucos minutos depois de sua entrada. Aos 45’ da segunda etapa o juiz assinalou pênalti para o Macaé, muito contestado pelos mineiros, mas convertido po Aloísio. Tudo parecia perdido, menos para o herói Chapinha, que aos 47’ guardou seu segundo da noite e assegurou a vitória do BOA. A equipe de Varginha subiu para décimo sétimo e o  Macaé é décimo segundo.

Uma doença chamada Eurico Miranda

Por Lucas de Moraes

O Vasco voltava à série A do campeonato brasileiro. Era necessário reforçar o time para montar um elenco que representasse a força do Vasco da Gama e tivesse ambições dentro do brasileirão. Agora na série A, o Vasco está em uma péssima fase. O time está em último na tabela com a pior defesa e o pior ataque da competição. Sua média de gols é de 0,44 gols por partida (menos de um gol a cada duas partidas). O erro da diretoria foi manter um elenco de nível de série B. O técnico Doriva foi uma boa aposta, mas ele precisava de elenco para conseguir alguma meta nesse ano. O pior veio nas eleições para presidente no fim de 2014. Em dezembro, uma doença gravíssima infectou o pobre cruzmaltino. Essa doença é chamada de Eurico Miranda.

 

Já estamos no segundo semestre do ano e o Vasco ainda não mostrou um bom futebol. Contratações que não deram certo são o que mais aparecem no time carioca. Riascos, Marcinho, Dagoberto, Diguinho, Júlio César e por aí vai. São tantas contratações que não é possível colocá-las aqui. Problemas também não faltam. O clube contratou mais atacantes (8) do que marcou gols no campeonato. Apesar do apoio do presidente do clube, o técnico Celso Roth tem sua vaga ameaçada pela maioria dos dirigentes. Agora chegam Jorge Henrique, Nenê e Felipe Seymour na tentativa desesperada de fazer o time subir na tabela. A péssima fase do time sub-20 (lembre-se que o diretor de futebol do time júnior é o filho do Eurico) do Gigante da Colina realça a raiz de todo o problema: a diretoria. A culpa não é apenas só dos jogadores e do técnico.

 

Portanto, procura-se um remédio para essa enfermidade que atingiu o Vasco. Todos esperam que a saúde volte e o time continue brigando por títulos como os já conquistados em sua história de 114 anos. Meus parabéns adiantados pelos 115 anos que serão completados no dia 21 de agosto vêm acompanhados pelo desejo de saúde ao clube e pelo fim da doença que tanto o preocupa. Boa recuperação, Clube de Regatas Vasco da Gama.

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Eurico chegou a dizer que o Carioca é mais importante que o Brasileiro. Então o Vasco já conquistou seu maior título de 2015. Foto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

O “não-problema” do racismo no futebol

Por Vinicius Prado Januzzi

Cristóvão Borges, atual técnico do Flamengo, em entrevista recente à ESPN afirmou que há componentes racistas nas críticas que fazem ao seu trabalho.

Os torcedores vão dizer que não é nada disso, que o treinador não é de qualidade, não mexe bem no time, não escala bem a equipe, que é retranqueiro. Podem dizer que criticam a “pessoa” dele, por suas competências, por seus defeitos como profissional do futebol. Ninguém é bobo a ponto de não ver que as críticas a Cristóvão vão além. São atravessadas pelo racismo que tanto insistimos em afirmar que não existe no Brasil.

O principal motivo pelos quais o que diz o técnico deve ser encarado como algo socialmente relevante é simples. Se alguém se diz vítima de racismo e sofre isso no dia a dia e sofreu isso durante toda a carreira, só devemos ouvir, refletir e daí pensar em como agir. Não sou eu nem você quem devemos dizer que tipo de preconceito é ou não é mais intenso ou válido. Cristóvão encarou os leões e desafiou o nosso silêncio.

Trata-se, a bem da verdade, de um silêncio por demais barulhento.

Há um ano, Borges era o único treinador negro na Série A do Brasileirão. Hoje é acompanhado solitariamente por Roger, do tricolor gaúcho. 2 entre 20. Estatisticamente irrelevante, socialmente chocante.

Faça agora um breve esforço mental e tente se lembrar de profissionais negros no comando dos times brasileiros. Saindo da área técnica, quantos são os dirigentes negros no Brasil? Quantos são, afinal de contas, os profissionais negros em posições consideradas de maior prestígio no futebol?

São poucos, infinitamente poucos. Os negros no futebol são os jogadores, os massagistas e os roupeiros. Dificilmente os presidentes, diretores, fisioterapeutas e fisiologistas. Ocupam cargos relevantes sim, mas de menor impacto. De encontro ao que se vê nos comentários redes sociais e portais jornalísticos afora, a questão que devemos nos fazer é a seguinte: por que há tão poucos negros comandando o futebol brasileiro? E, sobretudo, por que isso é aceitável e quase nunca encarado como um problema?

Pois é um problema seríssimo, vivido também em outros países e em outros esportes, como mostrou reportagem da BBC em 2014. Não custa lembrar o episódio já quase esquecido em que Aranha, na época goleiro do Santos, foi insultado e cruelmente xingado durante uma partida da Copa do Brasil. O Grêmio, adversário do clube paulista na partida, foi excluído da competição, chegou-se a comentar aqui e ali algo mais e não passou disso. No mais, as coisas continuam como estão, sem que haja qualquer esforço coletivo para alterar profundamente esse cenário de longa data. Vira e mexe os jogadores entram com faixas em campo, pedindo “Não ao Racismo”, os locutores elogiam, que campanha bonita, que bonito de ver. E termina aí.

Poderia dizer que saímos todos derrotados. Não seria inverdade. No entanto, o buraco é mais embaixo, porque a situação não é simétrica. Sou branco e quando vejo essa situação, me sinto moralmente abalado. Meus privilégios continuam como estão. Não sou afetado cotidianamente por esse racismo tão escancarado que vivemos.

Os negros sim. São derrotados sem piedade por essa estrutura desigual e assassina. Diante de tudo isso, Cristóvão Borges, só me resta agradecer por fortalecer essa luta diária e cruciante tão necessária ao futebol que queremos.